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Alarmismo sem causa

por Lindbergh Farias publicado 16/06/2013 10h01
O alarde inflacionário é falso, não tem causa econômica real

No Brasil de hoje, não há mais dúvida: governo e sociedade estão convencidos da necessidade de termos uma inflação sob controle e moderada. Tem sido assim, desde 2004 até 2012 a inflação ficou dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. Temos uma meta de inflação cujo centro é 4,5% para o ano com limite máximo de 6,5%. O governo e o Banco Central têm usado os instrumentos disponíveis com inteligência e eficácia.

Ouve-se que existe um descontrole inflacionário no país. Um descontrole seria aquela situação em que os preços estariam subindo absurdamente e fora dos padrões dos últimos anos. Para agravar, temperam a suposta existência de um descontrole inflacionário afirmando que o governo gasta demais, aquece a demanda e estimula ainda mais a subida de preços. Para comprovar suas teses, interpretam a pesquisa do Datafolha na qual o percentual da população que considera ótimo e bom o governo da presidente Dilma caiu de 65% para 57%. E enfatizam que o percentual daqueles que avaliam que a inflação vai subir aumentou de 45% para 51%.

O alarme sobre a necessidade de a inflação ser mantida sobre controle, que é sempre necessário, se transformou em alarmismo sem causa. Vamos às verdades.

1)      A inflação brasileira dos últimos anos tem mostrado uma forte correlação com a variação dos preços dos alimentos: quando os preços dos alimentos sobem, há aumento da variação do IPCA (e o inverso é verdadeiro), tal como mostra o gráfico. Os preços dos alimentos têm sofrido intensas oscilações devido a problemas climáticos e devido à cotação internacional de preços feita de forma especulativa. A variação dos preços dos alimentos tem sido a principal causa da inflação brasileira recente.

 

2)       Os gastos do governo não poderiam ter provocado inflação porque a inflação não é uma inflação de demanda. Não é o excesso de demanda por tomates que fez o preço do tomate subir absurdamente nos primeiros meses do ano. Muito pelo contrário, a economia brasileira está crescendo de forma muito moderada. A demanda está muito abaixo das potencialidades da economia. Ademais, depois de dez anos, a relação dívida pública/PIB caiu de mais de 60%, em 2002, para 35,4% em abril. E o déficit nominal das contas do governo caiu de 4,4%, em 2002, para 2,9%, em abril. São números fantásticos! Portanto, não existe descontrole fiscal que tem provocado descontrole inflacionário.

3)      Segundo o Datafolha, entre março e junho de 2011, aumentou de 42% para 51% o percentual da população que considerava que a inflação subiria (exatamente o mesmo número da última pesquisa). Naquele mesmo período, a aprovação (ótimo e bom) do governo da presidente subiu de 47% para 49%. Não há, portanto, uma correlação direta entre uma coisa e outra. E mais: a inflação, que ocorreu em 2013, foi basicamente uma inflação de alimentos que é aquela inflação que atinge os mais pobres. Contudo, as maiores reduções de aprovação plena do governo foram verificadas entre brasileiros que ganham mais de dez salários mínimos (queda de 24 pontos) e entre os que têm ensino superior (16 pontos).

Em 2011 quando muitos esperavam uma inflação em elevação, ela caiu e ficou dentro da meta. O mesmo ocorrerá no segundo semestre de 2013 porque os preços dos alimentos já entraram em trajetória descendente (houve quatro meses consecutivos de desaceleração). A inflação de 2013 está dentro dos padrões dos últimos anos (é o que mostra o gráfico). E todas as expectativas, consideradas insuspeitas, apontam para uma inflação entre 5,5% e 6%.

A pesquisa Focus, que ouve aproximadamente 100 instituições financeiras, espera que a inflação do ano seja 5,8%. Sendo assim, deveremos ter em 2013 o que tivemos nos últimos anos: a conformação de um ciclo de preços dos alimentos que provocará um ciclo na trajetória da inflação. Na ausência de outros fatores, teremos este ano uma inflação sob controle e moderada, mais uma vez.

Em conclusão, o alarmismo inflacionário é falso. É alarme sem causa econômica real. A inflação de 2013 está dentro (sim!) do padrão dos últimos anos. Mas fica o alerta: apesar da falsidade do alarmismo, o governo e Banco Central não podem relaxar.

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