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Aécio numa sinuca

por Celso Marcondes — publicado 23/01/2009 17h03, última modificação 23/08/2010 17h06
A direção do PSDB está com uma missão espinhosa: convencer o governador Aécio Neves a tirar o time de campo.

A direção do PSDB está com uma missão espinhosa: convencer o governador Aécio Neves a tirar o time de campo. O partido teme as prévias presidenciais. Não acha possível reviver no Brasil um pouco do brilho da disputa americana entre Obama e Hillary. Crê que a prévia dilacera em vez de aprofundar o debate e envolver as bases. O golpe de misericórdia nas pretensões de Aécio está para ser dado. Já há um quase consenso entre os cardeais tucanos de que Serra é o primeiro da fila.

A questão tomou corpo em pleno janeiro por conta da habilíssima manobra do governador paulista nesta semana. Até bem pouco, Alckmin era visto com o grande aliado mineiro no principal colégio eleitoral do País. Falou mais alto a sua pretensão de recuperar o governo do Estado em 2010. Foi, com armas e bagagens, assumir uma secretaria. Recompondo o partido, relevando as agruras de 2008, oxigenando Serra.

Mais sorridente, ele agora batalha para apagar a imagem de intransigente e centralizador, que deixava para Aécio a exclusividade do perfil negociador e aberto. Vai ser difícil para o governador mudar tão radicalmente seu jeito de trator da Catterpillar. Mas o esforço nesta direção é inegável. PMDB e DEM paulistas já entraram no clima, devem ter fechado suas partes no latifúndio que reunificou os ex-desafetos tucanos.

Mantêm-se as cogitações de que o governador mineiro possa abrir negociações com outro partido, preferencialmente o PMDB. Porém o caminho é árduo. Os negociadores tucanos, FHC e Sérgio Guerra à frente, querem convencer Aécio a obedecer à ordem natural das coisas. Acabando o instrumento da reeleição, depois de Serra, seria a vez de o mineiro concorrer, em 2015. Só que nos melhores sonhos de Aécio, 2010 seria a hora. Porém, a data limite para mudar de partido é setembro próximo e é necessário também largar o osso do governo de Minas.

Mais complicado ainda seria unir o PMDB em torno desta terceira via. Certo é que o partido está com mais poder do que nunca pelo Brasil, mas colar seus fragmentos regionais e em tempo recorde é tarefa que nem Obama e o Super-homem juntos encarariam.

Neste final de semana, lá pelos lados de BH, vai ser preciso tomar muito cafezinho com pão-de-queijo para ajudar a engolir o novo quadro que se desenhou para o governador mineiro.