Política

Prévias do PSDB

Aécio conquista as prévias. Será?

por Celso Marcondes — publicado 19/02/2009 16h18, última modificação 23/08/2010 16h20
A direção do PSDB informou que regulamentará a realização de eleições prévias para a indicação do candidato tucano c. O governador de São Paulo, José Serra, teria aceitado encarar a disputa.

A direção do PSDB informou que regulamentará a realização de eleições prévias para a indicação do candidato tucano c. O governador de São Paulo, José Serra, teria aceitado encarar a disputa.

Aécio Neves comemora. Nas últimas semanas ele estava se movimentando bastante, muito incomodado com a polarização Serra X Dilma que se acentua dia-a-dia, deixando de lado outros considerados presidenciáveis, como ele e Ciro Gomes.

FHC e outros dirigentes tucanos tinham aumentado as pressões para passar a régua no debate e ungir Serra como candidato. Principalmente depois que dera certo a surpreendente manobra do governador paulista, trazendo Geraldo Alckmin para seu ninho e assim enfraquecendo tremendamente Aécio em São Paulo.

Até pouco tempo, o que Sérgio Guerra e Cia. diziam era que o governador mineiro teria que “respeitar a fila”. Serra seria a bola da vez, no máximo – chegou-se a falar publicamente nisso – poderiam pensar numa “chapa puro-sangue”, com o mineiro se satisfazendo com a vice-presidência em 2010 para que tentasse sonho mais alto em 2014.

Fala-se que Serra resolveu se curvar às prévias porque temia que sua relutância acentuasse a imagem autoritária e ranzinza que tem e, por outro lado, acabasse reforçando o perfil de bom moço e de conciliador que são características de Aécio.

Agora, o mineiro quer agendar reunião com o paulista para discutir medidas que atenuem eventuais desgastes que as prévias poderiam proporcionar. Como o PSDB, ao contrário do PT, não tem nenhuma tradição de disputas prévias, o temor é grande nas hostes peessedebistas.

Para combater este temor, poder-se-ia lembrar das eleições municipais de São Paulo no ano passado e das presidenciais de 2006. Em ambas as oportunidades não aconteceram prévias, mas lautos jantares entre um reduzido número de ilustres tucanos que acabaram por escolher Alckmin como candidato. Os resultados foram duas derrotas do agora secretário de Serra e um clima quase que irrespirável dentro do partido durante muito tempo. Só que no final das contas, Serra virou governador em vez de presidente, elegeu Kassab na capital paulista e se fortaleceu para a disputa em 2010.

Mas quem conhece o governador diz que para ele “se fortalecer” é pouco. O que queria mesmo era enfiar goela abaixo do partido a sua candidatura, com um ano e meio de antecedência.

Parece que ainda não conseguiu, mas quem acompanha o cotidiano tucano sabe que há um largo caminho entre a decisão da realização das prévias e sua concretização. Muita água ainda correrá debaixo das pontes do Tietê e do Pinheiros nestes tempos de chuvas e trovoadas. O Brasil não é os EUA, Serra não é Obama, nem Aécio é Hillary.

Bom para eles que o Carnaval esteja aí para refrescar os ânimos, em março a história continua. Nestes dias de folia outros blocos sairão às ruas. Serra pretenderia sair no “Simpatia é quase amor”. Aécio está em dúvida, mas é esperado no “Empurra que Pega”, no “Nem Muda nem sai de cima” e no “Esse é bom, mas ninguém sabe”. Todos no Rio, claro. Quem quiser saber quando eles saem ou tiver outras sugestões, acesse www.riotemporada.com.br/2008/blocos-de-rua-do-carnaval-do-rio-de-janeiro-dia-e-horario.