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ACM Neto, nosso corregedor

por Celso Marcondes — publicado 12/02/2009 16h52, última modificação 23/08/2010 16h55
A renovação no Congresso Nacional não para. Depois das eleições de Michel Temer e José Sarney para as presidências das duas Casas, agora um jovem assume o cargo de segundo vice-presidente e corregedor da Câmara. Trata-se de ACM Neto, também conhecido na Bahia pelo apelido carinhoso de “Grampinho”.

A renovação no Congresso Nacional não para. Depois das eleições de Michel Temer e José Sarney para as presidências das duas Casas, agora um jovem assume o cargo de segundo vice-presidente e corregedor da Câmara. Trata-se de ACM Neto, também conhecido na Bahia pelo apelido carinhoso de “Grampinho”.

O jovem ACM acabou de completar 30 anos. Sua carreira meteórica começou em 1999, quando tinha apenas 20 aninhos. Foi nomeado assessor na Secretaria da Educação do Estado da Bahia. De lá saiu direto para Brasília, em 2002. Sem escalas na vereança soteropolitana, nem na Assembléia Legislativa. Virou deputado federal quando fez 24. Indicado, claro, pelo PFL, foi o deputado mais votado do estado. Durante sua primeira experiência legislativa aconteceram os grandes escândalos do governo Lula e do Congresso. O jovem ACM, então, foi um dos principais protagonistas da CPI dos Correios. Naqueles tempos, era só ligar a TV que ele estava lá fazendo discurso ou inquirindo ferozmente os depoentes. Diz-se que foi neste período que ganhou o apelido citado acima.

Em 2006, foi reeleito para o Congresso Nacional, está, portanto, em seu segundo mandato. Ano passado tentou um vôo solo para a prefeitura de Salvador. Não passou do primeiro turno. No segundo se aliou a João Henrique, candidato do ministro Geddel Vieira e o seu apoio acabou sendo decisivo para a vitória do PMDB contra o candidato petista Walter Pinheiro. Em troca, logo no começo do ano, os “demos” ganharam de presente a presidência da Câmara Municipal. O nome do presidente (interino “pero no mucho”): Paulo Magalhães Junior, que vem a ser primo de ACM Neto.

Assim que foi proclamado vitorioso para o cargo de corregedor – por esmagadores 404 votos a 67 em branco – ele recebeu um beijo carinhoso do pai, ACM Júnior – que, como todos sabem, ocupou no Senado a vaga deixada pelo pai, o falecido ACM que começou a estirpe.

O neto assume o cargo no lugar do seu colega de partido Edmar Moreira, aquele do castelo de 25 milhões de reais, em Minas, com 7500 metros quadrados, 36 suítes. E adega para oito mil garrafas. Também acusado pela Procuradoria da República em São Paulo de sonegar R$ 244, 79 mil ao Fisco.

Assim que assumir, ACM Neto receberá um pedido do PSOL para que investigue possíveis irregularidades cometidas pelo seu antecessor que nem chegou a esquentar a cadeira. Edmar é acusado de usar indevidamente uma verba de R$ 15 mil mensais que cada deputado recebe para suas despesas em seus estados, quando “vão consultar suas bases”.

Daí recorro ao velho e bom Aurélio para entender direito o que quer dizer “corregedor”. Leio: “sm magistrado a quem cabe corrigir os erros e abusos de autoridades judiciárias e funcionários da justiça”. Troco “judiciárias” e “da justiça” por “da Câmara dos Deputados” e tudo fica claro.

Por fim, leio uma declaração do eleito no Estadão: “Vou agir com isenção, neutralidade, aplicando o regimento interno e o Código de Ética”. Ah, bom. Se ACM Neto disse isso e foi endossado por 407 ilustres deputados, de todos os principais partidos, posso trabalhar traquilo o resto do dia.