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Pinheirinho

Ação de despejo repercute na mídia internacional

por Redação Carta Capital — publicado 24/01/2012 15h35, última modificação 06/06/2015 18h20
Jornal britânico The Guardian e BBC destacam violência da operação da polícia, iniciada sem "avisos", e problema de déficit de moradia no Brasil
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Policiais se armam contra moradores. Foto: Felipe Milanez

A ação de despejo comandada pela Polícia Militar desde domingo 22 no assentamento de Pinheirinho, em São José dos Campos, cidade a cerca de 90 quilômetros da capital São Paulo, ganhou repercussão também na mídia britânica.

O diário The Guardian publicou uma reportagem sobre o despejo dos cerca de seis mil moradores na segunda-feira 23, destacando os “violentos confrontos entre a polícia e os moradores” em uma ação iniciada às 6h da manhã “sem avisos”.

O jornal evidenciou histórias de mães “amedrontadas fugindo da área com seus filhos no colo”, enquanto helicópteros rondavam o assentamento e a polícia revidava aos manifestantes com balas de borracha e gás de efeito moral.

O Guardian ainda cita boatos “apocalípticos” nas mídias sociais sobre supostas mortes na ação, negadas pelas autoridades.

A publicação destaca que, e em entrevista à mídia brasileira, o chefe da policia local, Coronel Manoel Messias Mello, culpou "vândalos" do local pela violência. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, também foi citado ao dizer que “a polícia estava apenas executando uma ordem legal.”

A rede britânica BBC também noticiou a operação em Pinheirinho e descreveu os integrantes do assentamento como “trabalhadores sem teto” expulsos do local em que uma comunidade já havia sido criada para devolver o terreno a uma empresa falida.

A BBC destaca a participação de cerca de dois mil policiais na ação que resultou em carros queimados e na resistência dos moradores para “tentar defender suas casas”.

Ambos os veículos apontam que o Brasil sofre com um grave problema de déficit de moradia e que, apesar do forte crescimento econômico do País na última década, milhões de pessoas ainda continuam na pobreza devido à extrema desigualdade.