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Política

Repressão

A segurança de Obama e a que virá em 2014 e 2016

por Bruno Huberman — publicado 22/03/2011 16h49, última modificação 22/03/2011 18h37
As prisões de manifestantes em protesto contra Obama na semana passada são uma amostra do que os movimentos sociais enfrentarão nos próximos anos, diz o PSTU

As prisões de manifestantes em protesto contra Obama na semana passada são uma amostra do que os movimentos sociais enfrentarão nos próximos anos, diz o PSTU

Todo o processo que deixou encarcerados durante 70 horas treze ativistas detidos em um protesto organizado pelo PSTU em frente ao consulado dos Estados Unidos no Rio de Janeiro, na noite da sexta-feira 18, contra a visita do presidente Barack Obama ao Brasil, pode ser uma primeira amostra do que aguarda os movimentos sociais nos próximos anos, segundo o PSTU.

Segundo os termos da decisão do juiz João Felipe Nunes Ferreira Mourão, que no sábado 19 negou o pedido de liberdade provisória dos militantes, as manifestações “maculam a imagem de nosso país que sediará nos próximos anos dois dos maiores eventos globais.” “Esse é mais um episódio do processo de criminalização dos movimentos sociais que colocam na conta da Copa do Mundo e da Olimpíada essas arbitrariedades só para mostrar serviço”, afirma José Eduardo Figueiredo, advogado do Sindicato dos Profissionais de Educação, que participou das manifestações e esteve entre os detidos. “Servimos mais uma vez de bode expiatório.”

Para o advogado criminalista Jorge Bulcão, que acompanhou a detenção dos militantes, todo o processo foi uma “aberração jurídica”. “Os réus foram presos por simplesmente confessarem que participaram dos protestos. Isso é um absurdo, como se estar presente numa manifestação fosse crime.”

Os detidos foram acusados de lesão corporal, dano ao patrimônio e tentativa de incêndio. Segundo o relações públicas da Polícia Militar, o coronel Lima Castro, os manifestantes jogaram um “material incendiário” no consulado, por isso a repressão pela tropa de choque. “Nem vimos o coquetel molotov ser jogado. Foi algum infiltrado que fez isso e caíram em cima de nós que estávamos protestando pacificamente”, relata Figueiredo. “A polícia revistou a mala de todos e não achou nada, mas mesmo assim criminalizaram os nossos militantes.”

A assessoria do PSTU nega que o artefato pertença a alguém do partido e não há nenhuma prova que ligue os artefatos aos ativistas. “Na dúvida, se absolve o réu”, ressalta Bulcão. “Claramente foi uma armação da polícia ao dizer que encontraram os artefatos com os manifestantes. Eles inventaram um falso flagrante para prestar contas ao Obama e ao Cabral.”, acusa Figueiredo.

A decisão do juiz de plantão ainda determinou que os ativistas ficassem detidos enquanto o presidente americano estivesse no Brasil, “evidenciando que a colocação em liberdade dos requerentes acarretará grave risco à ordem pública.” Entre os presos estavam uma senhora de 67 anos e um menor de idade. Os homens foram encaminhados ao presídio Ary Franco, em Água Santa, e as mulheres para Bangu 8.

Os ativistas ficaram detidos até uma hora depois de Obama deixar o país, na noite do domingo 20. “O Brasil fez os seus primeiros presos políticos do ano apenas para fazer bonito para o Obama”, diz Figueiredo. “Uma vergonha . Imagine o que não enfrentaremos nos próximos anos de Copa e Olimpíada. Será um terror.”

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