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Greve

A rebelião do funcionalismo

por Marcelo Pellegrini — publicado 24/08/2012 10h41, última modificação 24/08/2012 10h58
Cansados de reuniões “sem diálogo”, os servidores rejeitam a proposta do governo
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Impasse. Onze mil servidores tiveram o ponto cortado. O governo tem poucos dias para negociar. Foto: Beto Barata/AE

Desde o começo do ano, mais de 180 reuniões foram realizadas entre o governo federal e representantes de ao menos 30 categorias do funcionalismo, segundo a Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef). Os servidores cobravam reestruturação de carreiras, reajustes salariais e melhores condições de trabalho, mas viram as negociações proteladas até agosto. Resultado: cerca de 250 mil funcionários, entre professores, policiais federais e rodoviários, auditores fiscais, empregados do Incra, da Funai, do Banco Central, das agências reguladoras, de portos e aeroportos, cruzaram os braços ou forçaram a lentidão dos serviços em operações-padrão. Nas contas do governo, a greve mobilizou 11.495 funcionários, que tiveram os pontos cortados.

Os números evocam os grandes protestos dos tempos de Fernando Henrique Cardoso. Com uma diferença: “Antes fazíamos greve para conseguir negociar. Com o Lula, as mesas de negociação permanente foram criadas e as categorias tiveram reajustes acima da inflação. Agora temos de fazer greves para que os acordos sejam cumpridos”, explica Sérgio Ronaldo da Silva, diretor da Condsef. “Estamos dialogando desde o ano passado. Deliberamos que em 2012 tudo seria unificado e as reivindicações, padronizadas.” O governo cita os efeitos da crise mundial como limitadores dos reajustes.


Às vésperas do prazo-limite
para o envio do Orçamento ao Congresso, o Palácio do Planalto apresentou uma proposta-padrão para as entidades, exceto ao setor de educação: reajuste de 15,8% nos salários, parcelado até 2015. A proposta foi rejeitada e o Executivo terá agora menos de uma semana para negociar com os servidores.

Para Vagner de Freitas, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a crise atual simboliza o esgotamento do modelo de negociação. Para ele, essas ­propostas devem ser apresentadas sempre no primeiro semestre, para dar tempo de negociar. “Senão, o confronto é estimulado.”

Apesar da tensão, Freitas nega que a entidade, historicamente ligada ao PT, tenha se distanciado do atual governo. “O projeto da CUT é mais próximo dos governos Lula e Dilma do que das administrações anteriores.”

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