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A política reinventada

por Coluna do Leitor — publicado 28/02/2011 11h54, última modificação 28/02/2011 12h04
"Há décadas a classe política brasileira, em todas as esferas, está desacreditada", afirma nosso leitor René Ruschel

 "Há décadas a classe política brasileira, em todas as esferas, está desacreditada", afirma nosso leitor René Ruschel
O jornalista Celso Nascimento publicou em sua coluna de 23 de fevereiro último, no jornal Gazeta do Povo, de Curitiba, um artigo que sintetiza o desempenho da Assembléia Legislativa do Paraná. Segundo Nascimento, a Casa aprovou no período 1.648 projetos; sendo que 193 foram vetados pelos governadores Roberto Requião e Orlando Pessuti. O resultado foi 1.445 projetos que se transformaram em leis. Destes, ainda segundo o jornalista, 673 dizia respeito à declaração de utilidade pública a instituições de caráter local, a grande maioria de pouca significação social; 62 leis foram editadas para conceder títulos de cidadania honorária; 63 instituíram datas comemorativas no calendário; 89 foram nomes dados para rodovias, viadutos ou colégios; 80 para transferir imóveis do patrimônio do Estado para os municípios. Lá pelas tantas o articulista mete o dedo na ferida e questiona: qual a importância da Assembléia Legislativa no cotidiano dos paranaenses?
Aliás, é bom que se diga que ninguém questiona a importância da Casa nem a função dos parlamentares como agentes da sociedade para o qual foram eleitos. Da mesma forma é sabido que existem mulheres e homens públicos probos, bem intencionados e dispostos a exercer a vida pública com dignidade. O que não é admissível é que uma instituição e seus pares demonstrem tamanho desprezo pela sociedade ao não cumprir o mínimo daquilo que a Constituição do Estado prevê. Como não bastasse a Assembléia Legislativa do Paraná ainda permanece submersa num mar de lama. No apagar das luzes da legislatura anterior os paranaenses tomaram conhecimento, com nomes e fotos nos jornais, que uma verdadeira quadrilha havia tomado a Casa de assalto com desvios superiores a R$ 100 milhões. Pela primeira vez saíram às ruas da Capital para protestar e exigir medidas que pusessem fim ao festival de nepotismo e corrupção. Agora, o que se vê é um ensaio de mudanças. Não deixa de ser um prenúncio alvissareiro. Acontece que a sociedade não acredita que possa haver transformações substancias. Basta lembrar que boa parte dos que a dirigem hoje compunham a Mesa Executiva da gestão anterior. Daí a dúvida: foram negligentes ou coniventes?
Novas denúncias por aqui começam a pipocar. Como não bastasse a compra irregular de equipamentos para escutas telefônicas ilegais, os mesmos simplesmente não são encontrados e ninguém sabe o paradeiro. Mas o difícil é encontrar o(s) responsável (is) onde prevalece o espírito corporativo e não o compromisso com o eleitor.  A alternativa proposta pelos parlamentares é a criação de mais uma Comissão Parlamentar de Inquérito. Alguém arrisca um palpite sobre qual será o resultado da CPI? Ganha uma pizza quem acertar... Há décadas a classe política brasileira, em todas as esferas, está desacreditada. Em Brasília, onde o descrédito não é diferente, o Senado convocou uma comissão de notáveis encarregada de apresentar um projeto com propostas para uma reforma política. A sucessão de escândalos aqui na província das araucárias se deve, em grande parte, a mixórdia que ressoa do planalto central por todos os rincões verde-amarelo. Alguma coisa precisa ser feita com urgência. 
Para a Doutora em Economia pela Sorbonne, França, Mariza de Melo Foucher, se queremos um melhor funcionamento da governabilidade democrática, e, uma reforma do funcionamento das instituições políticas no Brasil, é hora de selar uma parceria entre a democracia participativa e a democracia representativa. Com isso será possível elaborar uma verdadeira reforma do sistema político que evite o patrimonialismo exacerbado e nos permita entender o sentido nobre da política sem perder a visão do interesse geral.
Só assim a política será escrita com letras maiúsculas e ganhará credibilidade.

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