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A mesma praça, o mesmo banco

por Redação Carta Capital — publicado 26/07/2010 11h56, última modificação 26/07/2010 12h28
A quebra do sigilo de Eduardo Jorge ressuscita a tese do suposto dossiê anti-Serra

A receita federal informou, na quarta-feira 21, que a analista tributária Aparecida Rodrigues dos Santos Neves Silva, de 45 anos, está sob investigação por ter supostamente acessado as declarações de renda do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge. Chefe de uma unidade do Fisco em Mauá, na Grande São Paulo, ela foi exonerada do cargo em 8 de julho, uma semana após a Corregedoria da Receita apurar uma denúncia feita pelo jornal Folha de S.Paulo, que atribui a manobra ao “grupo de inteligência” que atuou na pré-campanha de Dilma Rousseff.

A servidora diz desconhecer as acusações e nega ter consultado as declarações do líder tucano. Aparecida foi diretora do sindicato de analistas fiscais no ABC, mas afirma que nunca foi filiada a nenhum partido. Tão logo seu nome foi revelado, o presidente do PT, José Eduardo Dutra apressou-se a esclarecer que ela não figura entre os filiados da legenda. De qualquer maneira, a informação alimentou as acusações da oposição sobre a suposta fabricação de um dossiê petista para comprometer a candidatura de José Serra (PSDB).

Em entrevista ao portal Terra, Jorge afirmou ter certeza de que os dados do seu Imposto de Renda foram repassados ao comitê de Dilma. “Sem sombra de dúvida, se ela (Aparecida) for culpada, é só a ponta”, afirmou o tucano. “Quem vazou para a Folha de S.Paulo não foi ela, mas o comitê de Dilma, de acordo com o que a própria Folha me disse.” O jornal afirma ter obtido quatro dossiês anti-Serra. Em um deles estariam as cópias da declaração de IR de Eduardo Jorge entre 2005 e 2009.

Dilma refuta qualquer envolvimento de sua equipe de campanha na montagem de dossiês contra adversários. Lideranças do PT acusam a oposição de plantar factoides na mídia. À tevê Record, o presidente Lula afirmou que cabe à corregedoria do Fisco esclarecer o caso. “A Receita é intocável. Até para o presidente da República é tão intocável que, se eu pedir a declaração do meu pior inimigo, a Receita precisa me denunciar.”

A corregedoria do Fisco não descarta a hipótese de a senha da servidora ter sido usada indevidamente por terceiros, sem o consentimento da analista. A investigação prossegue.

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