Você está aqui: Página Inicial / Política / Maioria da direção do PV quer apoiar Serra

Política

Segundo turno

Maioria da direção do PV quer apoiar Serra

por Celso Marcondes — publicado 05/10/2010 17h32, última modificação 07/10/2010 12h17
PSDB e PT assediam em busca de apoio. Marina Silva quer Convenção do partido para decidir
A maioria da direção do PV quer apoiar José Serra

PSDB e PT assediam em busca de apoio. Marina Silva quer Convenção do partido para decidir. Foto: Thays Cabette

Se dependesse da direção nacional do Partido Verde, o apoio a José Serra teria saído no dia 3 de outubro, no palanque da festa que comemorava os 19% dos votos alcançados por Marina Silva.

Faz muito tempo que os dirigentes dos verdes são aliados dos tucanos, com direito a cargos em prefeituras e governos de estados, não seria agora que isso mudaria. Exceto por um pequeno detalhe chamado Marina Silva.

Ela não controla a direção de seu novo partido. Aderiu a ele há menos de um ano, trazendo consigo alguns novos e fieis escudeiros: companheiros do ministério do Meio Ambiente, ambientalistas, empresários, que são minoria na estrutura partidária. Quem tem a maioria do PV é o presidente e deputado federal (SP) José Luiz Penna e sua equipe, que foi reforçada agora com a eleição de outros 5 deputados federais paulistas, todos simpáticos ao PSDB.

A maioria da direção dos verdes gostaria que a Executiva Nacional se reunisse imediatamente e fechasse posição. Encontrou a resistência de Marina e do deputado eleito Alfredo Sirkis, presidente do PV carioca.

Estes defendem a realização de uma Convenção Nacional do partido, composta por delegados e dirigentes, posterior a um processo de consulta a todos os grupos de apoio e comitês que se engajaram na campanha. O que eles chamaram de “os núcleos vivos da sociedade”.

A Convenção analisaria as respostas que Dilma e Serra dariam a uma plataforma mínima, a ser elaborada já pelo partido. Um processo com duração de 15 dias.

E o que a Convenção decidiria? Na teoria, são três hipóteses: apoiar Serra, apoiar Dilma ou declarar neutralidade. Na prática, são duas. Dentro do partido sempre foi minoritária a corrente que defende algum diálogo com o PT.

Penna e a maioria da direção queriam um processo rápido que culminasse no apoio a Serra. Sirkis e Marina seriam defensores da neutralidade, para sustentar o discurso da “terceira via” - o caminho trilhado para o resultado das urnas - e pavimentar voos futuros.

Marina é minoritária dentro do PV, mas ficou muito maior que ele. Ela afirmou: “O projeto é maior que o partido”.

Apoiar Serra pode ser a decretação da sentença de morte do “projeto”. Em caso de vitória do tucano, ele seria absorvido em segundos, como ocorre na prefeitura de São Paulo. Em caso de derrota, a marca da vitória obtida no primeiro turno desapareceria.

Os petistas, claro, já foram atrás da ex-companheira, a lembrar os 30 anos quase felizes que passaram juntos. Mas eles sabem que daquele mato não sai coelho, se o PV decidir pela neutralidade já estaria de bom tamanho.

Poderia o PV assumir uma posição e Marina outra? Poderia, Fernando Gabeira, por exemplo, já declarou seu apoio ao tucano no dia seguinte à apuração. A direção do PV pode também ficar inquieta com a demora exigida pela tal Convenção.

Mas tanto tucanos como petistas estão conscientes que o que vale mesmo é o apoio de Marina, não o do partido. Mesmo assim, sabem que a vida neste mês não se resume à busca deste apoio.

Os 19.636.331 votos que Marina obteve não são todos verdes. Têm as mais diversas colorações: dos defensores convictos do desenvolvimento economicamente sustentável aos evangélicos; dos “alternativos” às mulheres pobres que se identificaram com a trajetória de Marina; dos ex-petistas aos ex-tucanos; dos que de fato querem uma terceira via aos que só marcaram posição de protesto no primeiro turno.

Mesmo o apoio do PV e de Marina a um dos candidatos não dá nenhuma garantia da transferência dos votos dos eleitores. Serão muitas as condicionantes a determinar o que cada um deles fará agora.

O que você acha que vai acontecer, leitor?