Você está aqui: Página Inicial / Política / A Infraero contesta

Política

Rosa dos Ventos

A Infraero contesta

por Mauricio Dias publicado 24/10/2011 08h43, última modificação 24/10/2011 09h05
A estatal critica o relatório da McKinsey & Company e combate a privatização dos aeroportos
grafico rosa 2

Receitas operacionais

Uma reação grevista contra a privatização de aeroportos, nos dias 20 e 21, inicialmente de pequena expressão política, mobilizou funcionários da Infraero nos três primeiros terminais, Guarulhos, Brasília e Viracopos, marcados para a privatização.

O movimento pode ter um conteúdo corporativista. Tem também o colorido de uma reação política a uma decisão política do governo. Mas é, inegavelmente, marcado igualmente por preocupações concretas com o que parece ser, desde o início, um jogo de cartas marcadas. Essa denúncia está embutida na manifestação formal do conselho de administração da Infraero em relação ao relatório da McKinsey & Company, sobre o setor de Transporte Aéreo do Brasil, ao falar a respeito dos operadores e investidores em infraestrutura que foram ouvidos e que, afinal, sustentou a decisão sobre a privatização.

O colunista teve acesso ao documento e selecionou alguns trechos:

“A seleção feita pela consultora não resiste à análise técnica; constou apenas de grupos interessados na privatização dos aeroportos lucrativos da Infraero”.

Diz a contestação da Infraero que a consultora “Não recorreu à experiência de grandes operadores europeus e americanos” talvez “porque sejam controlados pelo Poder Público”. E dá exemplos: Fraport, de Frankfurt, Aena, de Madri e Barcelona, além do JFK, de Nova York, entre outros.

Não por acaso, portanto, a McKinsey atesta a eficiência da Infraero: “De fato, o Brasil possui boa cobertura de infraestrutura e de malha aérea e, comparado aos padrões internacionais, o País não apresenta déficit de intensidade de utilização do modal...”.

O documento faz referência ao crescimento vertiginoso do setor aéreo (tabela) e constata que o mercado brasileiro “ainda é incipiente”, mas, segundo a Infraero, “deixa de criticar a redução do número de localidades atendidas pelas empresas aéreas”, que caiu de 189, em 1999, para 130, em 2010.

O relatório transita pela necessidade de investimentos, que, diante das restrições da crise internacional, pode ter empurrado mais rapidamente a presidenta Dilma para a decisão privatista:

“Mantido o crescimento histórico da demanda, o País teria de adicionar até 200 milhões de passageiros/ano em capacidade até 2030, ou seja, seria necessário construir infraestrutura comparável a, aproximadamente, nove aeroportos de Guarulhos no período”.

Nas condições atuais, diz o documento, a Infraero necessitaria de transferências do Tesouro para realizar os investimentos planejados: cerca de 2 bilhões de reais por ano, nos próximos

cinco anos. Na sequência, a McKinsey ataca o desempenho comercial da Infraero. A empresa retruca:

“A consultora afirma que as receitas comerciais flutuam entre 20% e 25% do total de suas receitas operacionais, sendo inferior à media mundial, que seria de 40%. Constata-se que ela computou (...) aquelas oriundas das atividades de armazenagem e capatazia e de navegação aérea, que, geralmente, não fazem parte dos negócios sob administração da maioria dos aeroportos do mundo”.

Subtraídos esses valores da Receita Operacional, a participação das receitas comerciais da Infraero alcança 45% (tabela), porcentual dentro da média mundial.

Nos comentários, a Infraero conclui que “a parcialidade” do estudo da empresa McKinsey compromete a utilização dele “como referencial para a tomada de decisão quanto ao modelo institucional do setor”. Foi inútil.

ANDANTE MOSSO

Reserva radical

O Exército distribuiu nos quartéis, em 2011, o livro Cenas da Nova Ordem Mundial, publicado pela Bibliex, em 2010, quando Lula presidia a República e era comandante supremo das Forças Armadas. Nelson Jobim era o ministro da Defesa.

Escrito pelo general da reserva Sergio Coutinho, chefe do Centro de Inteligência do Exército, em 1987, o trabalho exuma temores da direita ao chamar o ex-presidente de “arrivista” e transformá-lo em líder de um projeto político “socialista e radical”.

É um ensopado radical feito de ignorância e má-fé.

A coisa é pública?

A governadora Roseana Sarney propôs e aprovou a criação da Fundação da Memória da República.

Na verdade, a intenção da filha do ex-presidente da República e atual presidente do Senado é a de transferir os custos da Fundação José Sarney para os cofres públicos.

Na mensagem, aprovada pela Assembleia Legislativa maranhense, Roseana afirma que, “lamentavelmente, a história da Fundação Sarney tem sido marcada por constantes crises financeiras”.

Que o povo, portanto, pague.

Dois pesos, duas medidas

Apenas cinco dias após a divulgação das acusações verbais de um PM contra o ministro do Esporte, Orlando Silva, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, anunciou que vai pedir ao Supremo Tribunal Federal a abertura de inquérito.

Entretanto, apesar de contar com um relatório do Tribunal de Contas da União, o envolvimento do comandante do Exército, general Enzo Peri, continua em estudo.

Pelo critério de idade, pelo menos, o general deveria ter prioridade no andamento do caso.

TV eleitoral

Está fechado o acordo eleitoral entre o ex-governador Anthony Garotinho e o ex-prefeito Cesar Maia, na disputa para a prefeitura do Rio.

Os filhos são o objeto de troca.

Maia entra com Rodrigo, deputado federal, candidato a prefeito, e Garotinho entra com Larissa, deputada estadual, candidata a vice.

Fica garantido a Garotinho
o horário do DEM na televisão para
a campanha de governador, em 2014. Ele somará ao tempo do PR, 53 segundos, o tempo que o DEM dispõe: 1 minuto e 56 segundos.

Já dá para fazer um barulhinho para atrair o eleitor.

Renovação já

Mais uma vez o faro aguçado do operário Lula entra em ação.

Depois de lançar Fernando Haddad para a prefeitura de São Paulo, ele pensa em Marcio Pochmann, do Ipea, para a prefeitura de Campinas.

É o início de uma mudança de geração política no desgastado PT paulista.

Contraste espanhol

As manifestações de rua na Espanha servem de parâmetro para o anódino movimento brasileiro anticorrupção.

A indignação, descolada do processo político, levará a direita espanhola ao poder.

Toga suspeita

Já sob o impacto da denúncia da ministra Eliana Calmon, do STF, de que há “bandidos de toga”, uma pesquisa de outubro mostra a que ponto chegou a imagem do Judiciário junto à população.

No ranking de 11 instituições avaliadas só o Congresso tem nota pior.

O povo deve ter lá suas razões para confiar mais no guarda (municipal) da esquina (tabela).

É de fazer corar a imagem de pedra de Têmis, deusa da justiça.

registrado em: