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Governo Dilma

A fragilizada oposição à Dilma

por Aurélio Munhoz — publicado 28/03/2011 09h30, última modificação 28/03/2011 10h42
A presidenta Dilma Rousseff navega com tranqüilidade em meio a um oceano de partidos adversários divididos e fragilizados. Por Aurélio Munhoz

O cenário político do Brasil vive um momento singular, no plano federal. Com exceção do que ocorreu durante os governos impostos pela mão pesada da ditadura militar, nunca se registrou, na recente história da democracia republicana do Brasil, um cenário tão desfavorável para a oposição. A presidenta Dilma Rousseff navega com tranqüilidade em meio a um oceano de partidos adversários divididos e fragilizados.
Não que a oposição não esteja tentando cumprir seu papel. Vez por outra, a imprensa veicula reações contundentes de lideranças do PSDB, DEM e PPS a decisões do governo. O problema é que, geralmente, estes ataques só surgem por iniciativas isoladas, como no caso do combativo senador Álvaro Dias (PSDB/PR). Não partem de uma ação sistemática, resultado de um projeto de poder consistente desenvolvido pelos partidos adversários à Dilma.
O próprio Álvaro, porém, já não sustenta suas posições e nem defende seu partido com tanta ênfase. Sente-se isolado no PSDB. Não por menos. Foi preterido duas vezes pelos mandatários da legenda. Primeiro, como candidato ao governo do Paraná. Depois, como candidato a vice-presidente na chapa de José Serra na campanha presidencial do ano passado, quando teve que ceder sua vaga - depois de ter seu nome confirmado por lideranças tucanas - em favor do deputado federal Índio da Costa (DEM/RJ).
Não bastasse isso, o senador não encontra guarida nem entre os governadores do PSDB: em reunião promovida em dezembro do ano passado, em Maceió (AL), quando ainda nem tinham tomado posse, os tucanos se renderam ao pragmatismo do Executivo e decidiram não radicalizar na oposição. Entre eles, Geraldo Alckmin, de São Paulo, principal aliado de Serra, de quem se esperava uma postura mais incisiva em relação à Dilma.
Mas este não é único nó da oposição. Os adversários de Dilma estão claramente divididos. O PSDB ainda não cicatrizou as feridas da nova derrota na disputa presidencial – a terceira. E enfrenta ainda o problema de ter que gerenciar as vaidades que cercam a sucessão presidencial de 2014, que deve posicionar em campos opostos o próprio Alckmin e o senador Aécio Neves, de Minas Gerais.
Já o DEM caminha a passos largos para uma pulverização, conduzida pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que está agrupando seus aliados em torno de uma insossa sopa de letras chamada PSD – legenda cheia de lideranças regionais, mas sem nenhum nome com densidade eleitoral suficiente para dar consistência a um projeto político mais ambicioso, como a conquista do Palácio do Planalto.
Pesa contra a oposição, ainda, um fato incômodo: os percentuais de aprovação do atual governo. Pesquisa feita pelo Instituto Datafolha apontou que, com quase três meses de mandato e a despeito da discrição da presidenta Dilma Rousseff, o trabalho exercido pela nova trupe do Palácio do Planalto foi considerado ótimo ou bom por 47% dos brasileiros. Apenas 7% dos entrevistados avaliaram o atual governo como ruim ou péssimo.
A oposição à Dilma, enfim, ainda não encontrou seu lugar. Elitista, esvaziada em seu discurso e descolada dos movimentos populares de base, foi vencida pelo bem sucedido projeto de poder do PT, que só encontra forte resistência entre os adversários de sempre: os porta-vozes das Redações de alguns dos grandes veículos de imprensa. A oposição à Dilma vive uma crise de identidade, cuja solução ainda parece longe na linha do horizonte.

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