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A formação de um bom governo

por Paulo Cezar da Rosa — publicado 06/12/2010 10h15, última modificação 06/12/2010 10h17
Não se faz mudanças radicais em time que está ganhando. Mas devemos ter grandes mudanças no governo Dilma. Porque se não mudar, seu governo será apenas mais do mesmo. Por Paulo C. da Rosa

Estive lendo o texto do nosso editor, Celso Marcondes, sobre a formação do ministério de Dilma. Num contraponto à grande mídia, que especulou sobre a possibilidade de mudanças radicais, Celso afirma que o ministério de Dilma tem a cara - óbvia – da continuidade.

Não se deve mesmo esperar grandes mudanças de equipe no governo Dilma. Não se faz  mudanças radicais em time que está ganhando. Mas devemos ter grandes mudanças no governo Dilma. Porque se não mudar, seu governo será apenas mais do mesmo, e a  lógica conservadora (mesmo quando o que se quer conservar é a mudança) leva à paralisia e à derrota.

A aparente contradição das duas afirmações anteriores se deve a que, além de ser um governo que sucede Lula, a grande mudança que Dilma carrega já vinha sendo implementada. A versão publicitária desta mudança é o PAC; a mudança de verdade é a passagem do enfrentamento das questões sociais e da arrumação da casa para o desafio do crescimento econômico sustentável.

Melhor que Lula - Um amigo, prefeito de Santa Vitória do Palmar, município onde fica a barra do Chui, ponto extremo sul do país, me disse que Dilma “corre o risco de ser ainda melhor que Lula”. Prefeito de um município rico pela cultura do arroz, mas pobre e isolado, por causa da monocultura, situado na fronteira com o Uruguai, Cláudio Pereira, o Batata, acha que Dilma começou acertando na decisão da equipe econômica. “O  desafio que temos de enfrentar -me disse o Batata- é o da economia dentro dessa crise mundial. O resto é trabalho.”

Enfrentar a crise - Como diz o ditado português, não é possível dominar os ventos, mas podemos ajustar as velas. Lula ajustou as velas tudo o que pôde, mas fez só o começo.  Grosso modo, em seus oito anos de governo, Lula arrumou a casa. O PAC é o primeiro passo no enfrentamento dos gargalos do desenvolvimento. O desafio agora é colocar tudo em funcionamento, num quadro em que a “marolinha” insiste em bater nas nossas praias.

O desafio é o desenvolvimento - Os temas macroeconômicos normalmente são incompreensíveis para a maioria das pessoas. Também os temas da formação de um bom governo. É um pouco como no futebol. Compor um ministério é como escalar uma seleção brasileira para disputar o campeonato nacional e o mundial ao mesmo tempo. Você define quem colocar em campo depois de ter uma ideia dos desafios que vai ter pela frente, quem são e como vão jogar os adversários, quais os obstáculos a vencer, quais as metas a atingir.

Lula montou seu primeiro governo com jogadores da casa. Seus principais craques acabaram fora de campo no final do primeiro tempo. Lula teve capacidade de substituir e seguir em frente. Superou as dificuldades e venceu desafios. Quando todos pensavam (principalmente os tucanos, em sua arrogância) que o metalúrgico não teria um sucessor à altura, Lula inventou Dilma.

Junto com Dilma, alguns de seus principais craques, como Antonio Palocci, estão voltando ao campo. Não devemos ter dúvida. O lulismo vai se prolongar no tempo de forma duradoura, através de seus quadros. Mas inclusive isso depende de sua renovação e desdobramento. De sua reinvenção permanente.

Dilma, ao definir a equipe econômica em primeiro lugar estabeleceu uma lógica e um norte para o seu governo. Dilma vem para fazer o desenvolvimento sustentável do Brasil.  E, fazendo isso, nossa primeira presidente será ainda melhor do que Lula.

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