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Política

Eleições 2010

A estratégia dos principais candidatos gaúchos

por Paulo Cezar da Rosa — publicado 02/08/2010 10h37, última modificação 02/08/2010 10h48
Nas eleições do Rio Grande do Sul, os candidatos já organizaram forças, estabeleceram alianças e estratégias

Nas eleições do Rio Grande do Sul, os candidatos já organizaram as forças, estabeleceram as alianças, as estratégias e as consignas. Agora se trata de ir à guerra. Mas é aos poucos que os três principais candidatos vêm revelando os instrumentos com os quais pretendem conquistar o voto dos gaúchos.

Uma das principais decisões numa campanha é sempre o slogan. Luis Carlos Iasbeck, em seu livro “A arte dos Slogans” explica que esta peça publicitária não é uma frase bonita, é uma síntese de uma estratégia. Com origem na expressão escocesa “sluagh-ghairm”, que significa “grito de guerra de um clã”, aplicados à política, os slogans revelam a alma das candidaturas.

Na eleição gaúcha, o grito de guerra dos principais candidatos são os seguintes:

-       Rio Grande do Sul, do Brasil, do Mundo. Tarso Governador.

-       A mudança se faz com todas as forças. Fogaça Governador.

-       O Rio Grande no caminho certo. Yeda Governadora.

As pesquisas tem indicado que Tarso lidera a disputa gaúcha, seguido por Fogaça e tendo Yeda em terceiro. Os institutos apresentam variações, mas todos estão de acordo quanto às posições. Também é corrente a avaliação de que a governadora tem enormes obstáculos para superar. O mais provável, hoje, seria um segundo turno entre Tarso e Fogaça.

Caminho

A estratégia de Yeda é clara. Seu slogan “O Rio Grande no caminho certo” busca afirmar o seu governo. Mal avaliado, cercado de denúncias e desconfianças, o governo da tucana colocou-se antagônico ao governo federal desde o primeiro dia.  A governadora é economista e talvez fizesse a aposta que Lula seria devastado pela crise econômica. Assim, a receita tucana sairia vitoriosa no final. Embalada por essa política, Yeda atolou o pé no neoliberalismo. A história mostrou que aconteceu tudo ao contrário.

Hoje, Yeda busca reposicionar-se no cenário. Não restou-lhe outro caminho senão afirmar o que fez. É uma tarefa inglória. Todavia, Yeda não pode ser subestimada. É provável que as pesquisas não estejam detectando todo o seu potencial. Nos momentos em que alguém está sob fogo cerrado, o eleitor tende a esconder sua intenção de voto.

Do Mundo

Tarso Genro foi o primeiro a entrar em campanha. Conseguiu com êxito unificar o PT e refazer uma aliança com o PSB e o PCdoB. Sua estratégia de campanha vem apresentando muitas virtudes. Elas o colocaram a frente nas pesquisas e permitiram romper seu isolamento na cena gaúcha. Seu slogan Rio Grande do Sul, do Brasil, do Mundo é uma tentativa de dizer que o Estado gaúcho precisa se reconectar com o país e o mundo. Precisa superar o isolamento.

É possível que o slogan e marca venham a ganhar um sentido mais claro quando iniciar a propaganda de rádio e TV. Até agora, a síntese encontrada para o posicionamento de Tarso está parecendo uma solução publicitária pouco feliz. Talvez não prejudique a campanha, mas também é pouco provável que auxilie.

Mudança

Já nas hostes do PMDB, tudo parece estar acontecendo ao contrário. Enquanto Tarso acumula pontos de vantagem, Fogaça amarga com diversos problemas. Além da paralisia das bases  e questionamentos frequentes a sua coordenação de campanha, o peemedebista  segura uma batata quente com origem no partido aliado, o PDT. O ex-governador Alceu Collares resolveu apoiar a candidatura de Tarso Genro com todas as forças. Collares argumenta que Fogaça havia prometido apoiar Dilma e descumpriu a promessa. Com isso, o ex-governador sentiu-se liberado para apoiar o petista.

Neste mar de dificuldades, a solução apresentada pela campanha de Fogaça, no que diz respeito ao slogan, é muito boa. “A mudança se faz com todas as forças” posiciona o candidato como alguém que pretende atuar no terreno da mudança com vigor e com todas as forças, ou seja, com todos os setores da sociedade gaúcha.

Num quadro em que a campanha nacional é uma disputa entre continuidade e mudança – Para o Brasil seguir mudando, diz o slogan de Dilma – , o fato de Fogaça pegar a bandeira da mudança em suas mãos pode lhe trazer vantagens estratégicas diante de seu principal oponente.

Como Yeda está mal, o “mercado eleitoral ” gaúcho está amplamente favorável à mensagem da mudança. Cerca de 80% dos eleitores quer mudar. Na prática, a disputa em 03 de outubro é sobre qual o conteúdo da mudança e quem é mais capaz de conduzi-la.

Tarso quer o Rio Grande no rumo do Brasil e do Mundo. Fogaça quer a mudança com todas as forças. A peleia é essa!

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