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A cultura da barbárie

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 05/08/2011 12h18, última modificação 05/08/2011 13h59
Os atentados na Noruega apontam para a cristalização de uma ideologia de intolerância cultural. Por Antonio Luiz M. C. Costa
A cultura da barbárie

Os atentados na Noruega apontam para a cristalização de uma ideologia de intolerância cultural. Por Antonio Luiz M. C. Costa. Foto: Jon-Are Berg-Jacobsen/AFP

Quando se soube que o terrorista norueguês Anders Behring Breivik divulgara pela internet um manifesto de mais de 1,5 mil páginas, acompanhado de uma espécie de videossinopse, algumas mídias publicaram artigos discutindo se seria ético dar publicidade às suas ideias. Perda de tempo. Essas ideias já têm uma ampla divulgação e não só em blogs e fóruns de extrema-direita. Colunistas, jornalistas, apresentadores de rádio e tevê e escritores prestigiados por grandes órgãos da mídia, da Fox News a alguns dos maiores jornais e revistas do Brasil, defendem teses muito semelhantes. Para não falar de pessoas com carreiras respeitáveis, como o ex-diretor do Banco Central alemão Thilo Sarrazin, integrante do Partido Social-Democrata.

Claro que não chamaram a atenção dos órgãos de combate ao terrorismo. Mas poucos dias depois, o escritório de contraterrorismo da Scotland Yard divulgou uma nota, segundo a qual “qualquer informação relacionada a anarquistas deve ser reportada à polícia local”, mesmo se há décadas esses grupos, ao menos no Reino Unido, não respondem por nada mais grave do que vitrines quebradas e seu único evento programado para os próximos meses (em outubro) é uma feira de livros, acompanhada de filmes e performances.

A diferença é que ataques ao multiculturalismo em geral e ao Islã em particular, em nome do Ocidente tido como “judaico-cristão”, têm sido difundidos, em conjunto ou em separado, não por jovens excêntricos, mas por Pessoas Muito Sérias (Very Serious Peo-ple, como dizem os blogueiros anglófonos), como o primeiro-ministro britânico, David Cameron, e sua colega alemã Angela Merkel, os xenófobos jornalistas Christopher Caldwell (estadunidense) e Oriana Fallaci (italiana, inventora do termo “Eurábia” e de sua conotação pejorativa), o historiador britânico Niall Ferguson ou o filósofo francês Pascal Bruckner. Breivik foi, por sua vez, parcialmente justificado por Glenn Beck, ícone do Tea Party, e por políticos da Frente Nacional francesa e Liga Norte italiana.

*Leia a matéria na íntegra na de CartaCapital, nas bancas nesta sexta-feira 5

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