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Coluna Econômica

A chegada dos novos tempos - 4

por Luis Nassif publicado 15/02/2013 14h33, última modificação 06/06/2015 18h42
A nova militância e as novas formas de propagação do novo pensamento estão sendo formados nas redes sociais

Ontem expus as dificuldades principais para a consolidação de valores e de políticas públicas no país: a falta de âncoras conceituais, de valores incutidos no pensamento nacional, que definam ações permanentes, independentemente do governante de plantão.

Historicamente, a rigor apenas a Escola Superior de Guerra (ESG) (e as Forças Armadas), talvez o Itamarati, em alguns momentos o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) lograram alguma espécie de pensamento estratégico sistemático.

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A grande âncora do desenvolvimento chinês é o Partido Comunista Chinês e suas correias de transmissão de conceitos. É um modelo autocrático que não serve para o Brasil.

No modelo democrático norte-americano, há uma correia de transmissão que começa na academia, propaga-se pelos chamados think tanks (centros de pensamento estratégico), de lá para os partidos políticos e, deles, para os correligionários, incluindo a mídia aliada.

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Aqui é mais difícil.

A indústria possui instituições como o IEDI (Instituto para Estudos de Desenvolvimento Industrial), importante para acompanhamento conjuntural mas que há tempos deixou de ser um propagador dos ideários do setor. O mercado de capital teve o IBMEC. Mas a ideologia de mercado atual é defendida por sites preocupados exclusivamente em demonizar gastos públicos e políticas sociais - o melhor caminho para estigmatizar uma ferramenta relevante, como o mercado.

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E os partidos políticos muitas vezes patinam nessas definições programáticas.

Tome-se o caso do PT. Em 1993, a cúpula partidária - conduzida pelo então economista Aloizio Mercadante - soltou um manifesto puxando o PT para o centro, à luz dos ventos liberalizantes da era Thatcher. Houve grita geral obrigando a um recuo. De lá em diante, evitaram-se definições programáticas mais nítidas, para não provocar dissensões.

Só após a eleição de Lula em 2002, com a Carta aos Brasileiros, permitiram-se definições mais claras, que terminaram por consolidar o partido no espectro da social democracia.

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Já o PSDB beneficiou-se de uma sólida aliança com a grande mídia do eixo Rio-São Paulo. Mas não havia nenhuma definição programática, nem do lado do partido nem de seus candidatos. Consequência: todo o aparato midiático foi utilizado somente para propagar o "anti" - o antipetismo, o antilulismo, o antipolíticas sociais, o anti-Bolsa Família.

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O novo não surgirá do velho.

A nova militância e as novas formas de propagação do novo pensamento estão sendo formados nas redes sociais. Novos personagens estão surgindo, novas formas de participação, do botão "curtir" às petições online.

É apenas o início. O futuro dos partidos políticos está naqueles que entenderem a dimensão das redes sociais.

Não se trata de armar correligionários para batalhas sangrentas e inconsequentes em Twitters e Facebooks, mas de saber captar os grupos de interesse especializados, desde as manifestações culturais do Brasil profundo e os movimentos de favela e periferia, até os novos empreendedores, os grupos de interesse regionais e o pensamento acadêmico de ponta.

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É tarefa que exige desprendimento para se abrir para novo, para democratizar as instâncias internas do partido e definir formas permanentes de renovação dos seus quadros.

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