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A cara do novo governo se forma

por Celso Marcondes — publicado 09/12/2010 17h20, última modificação 09/12/2010 18h03
Dilma define 10 nomes de uma vez. Outros serão anunciados logo, mas restam 4 grandes nós: Cultura, Saúde, Cidades e Assuntos Institucionais. Por Celso Marcondes

Dilma define 10 nomes de uma vez. Outros serão anunciados logo, mas restam 4 grandes nós

Como previsto, de uma só fornada a presidenta eleita Dilma Rousseff oficializou na noite desta quarta-feira 8 os nomes de mais 10 integrantes de seu primeiro escalão de governo.

Foram apresentados cinco indicados pelo PMDB, todos já cantados na véspera: o senador Edison Lobão (MA), volta para Minas e Energia, Wagner Rossi, continua na Agricultura, o deputado Pedro Novais (MA), assume o Turismo, o senador Garibaldi Alves (RN) vai para a Previdência e Moreira Franco, ex-governador do Rio de Janeiro, é acomodado na Secretaria de Assuntos Estratégicos.

O PT emplacou mais 3, também sem surpresas: Paulo Bernardo vai do Ministério do Planejamento para as Comunicações, a senadora Ideli Salvati para o Ministério da Pesca e Aquicultura e a deputada federal gaúcha Maria do Rosário substitui Paulo Vannuchi na Secretaria Especial dos Direitos Humanos.

O PR garantiu a volta do senador Alfredo Nascimento para os Transportes.

Sem partido, a jornalista Helena Chagas, que assessorou diretamente a presidenta eleita na campanha eleitoral e foi presidenta da EBC, será a nova comandante da Secretaria de Comunicação Social e sacramenta a despedida em breve de Franklin Martins.

Outros garantidos:

Há nomes que já estão fechados, mas não foram anunciados ontem, talvez para não realçar a presença paulista na futura equipe de governo: o senador Aloizio Mercadante foi convidado para assumir a pasta da Ciência e Tecnologia e Fernando Haddad é nome único ventilado para a Educação.

Luciano Coutinho, para permanecer na presidência do BNDES, e o mineiro Fernando Pimentel para o Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior são outras certezas. Mas o ministro será anunciado antes que o presidente do Banco, pois formalmente este se submete a aquele.

Definidos também, mas ainda não oficializados, estão os nomes do diplomata Antonio Patriota para as Relações Exteriores, de Nelson Jobim, na Defesa, e de Carlos Lupi, do PDT, que continuará no Trabalho e Emprego.

Por esta contabilidade, temos então 16 ministros oficializados - os de ontem mais Guido Mantega (Fazenda), Miriam Belchior (Planejamento), Alexandre Tombini (Banco Central), José Eduardo Cardoso (Justiça), Antonio Palocci (Casa Civil) e Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) - e as 7 certezas citadas acima. A soma dá 23, sobre um total, se mantida a formatação atual, de 37 ministérios ou secretarias com tal status. O único ministério novo a ser criado por Dilma deve ser o da Micro e Pequena Empresa. Também existe a hipótese de surgir a pasta da Aviação Civil, que englobaria a Secretaria de Portos.

Os maiores nós:

O ministério da Cultura talvez seja o foco das maiores dificuldades. O atual ministro Juca Ferreira gostaria de permanecer no cargo. Licenciado do Partido Verde desde a campanha eleitoral - apoiou Dilma e não Marina Silva – ele não entra na “cota” de nenhum partido. Se permanecer, será contabilizado na lista das opções pessoais da presidenta. Há uma forte campanha em curso pelo seu nome, principalmente via internet, com direito a jantares, encontros e listas de apoiadores.

Ocorre que esta é exatamente uma das pastas onde Dilma vê chances de aumentar o número de mulheres na sua equipe. Só que a professora Marilena Chauí, a preferida dos nossos leitores (vote na enquete ao lado), parece não ter mais fôlego para enfrentar uma nova vida em Brasília. Os outros dois candidatos na parada são homens, o professor Emir Sader e o escritor Fernando Morais, que embora ligados ao PT e ao PMDB, também não fazem parte de nenhuma cota partidária.

O ministério da Saúde permanece indefinido: está entre Alexandre Padilha, atual ministro das Relações Institucionais, e o médico Gonzalo Vecina, ex-secretário da Saúde da cidade de São Paulo, na gestão de Marta Suplicy. Se Padilha for o escolhido, abre-se outro buraco, pois até semana passada era dada como certa sua permanência no cargo atual. Nesta hipótese, o PT não abre mão da vaga e já coloca os nomes do senador eleito Wellington Dias, do Piauí, e do deputado carioca Luiz Sérgio como alternativas.

Outro grande nó é o ministério das Cidades, que ganhou grande importância nos últimos anos, sobretudo em função do programa “Minha Casa, Minha Vida”, já pronto para ser apresentado em sua segunda fase de implantação. O nome do deputado Mário Negromonte, do PP, tido como certo no começo da semana, causou desconforto entre parte dos petistas, que defendem o ex-prefeito Luiz De Felippe Jr. Como Dilma precisa encontrar uma fórmula para contemplar o PP, voltou à discussão uma saída caseira: manter o atual ministro Márcio Fortes, filiado ao mesmo partido.

Cultura, Saúde, Cidades e Assuntos Institucionais são os problemas mais sérios a resolver, portanto.

Ajustes finos:

As cotas do PCdoB e do PSB estão prestes a ser fechadas. Os comunistas precisam acertar entre eles quem fica com os Esportes e os socialistas já garantiram a Integração Nacional para o pernambucano Fernando Bezerra. Falta definir uma segunda vaga para eles, que pode ser o novo Ministério das Micro e Pequenas Empresas.

Fechadas as participações dos aliados PMDB, PP, PR, PSB, PDT e PCdoB, as cadeiras restantes ficarão para a presidenta acomodar nomes de sua escolha pessoal, mais mulheres com certeza. Falo dos ministérios do Meio Ambiente, do Desenvolvimento Social e do Desenvolvimento Agrário e das secretarias de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e Políticas para as Mulheres.

Definido tudo isso, restarão ainda os cargos de segundo escalão, quase igualmente nobres, como as presidências da Caixa e do BB. E várias outras presidências de órgãos e empresas.

Até o peru de Natal, virão todas as definições, faltam poucos dias. A era Lula está no final da reta final.

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