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A batalha dos números

por Cynara Menezes — publicado 27/08/2010 01h59, última modificação 27/08/2010 13h04
O Datafolha estimulou a demonização dos institutos concorrentes, mas agora paga o preço dos próprios equívocos
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Marcus Fiqgueiredo, do Iuperj, sem meias-palavras:"O Datafolha errou. Terá de explicar por quê"

O Datafolha estimulou a demonização dos institutos concorrentes, mas agora paga o preço dos próprios equívocos

Os analistas de pesquisa têm uma explicação simples para o fato de, na reta final de uma campanha eleitoral, os resultados dos institutos ficarem muito parecidos: a consolidação das intenções de voto reduz as nuances e torna mais homogêneos os grupos de eleitores. Fica mais fácil, portanto, captar as tendências.

O grande lance, o que evidencia a qualidade dos pesquisadores, é acertar  quando a corrida das eleições está no seu início e o eleitorado ainda está muito  disperso. Ligado ao jornal Folha de S.Paulo e chancelado pela Rede Globo, o Datafolha criou em torno de si a aura de grande reputação. Era como se seus métodos fossem superiores e suas medições, mais confiáveis. Verdadeira ou não, essa suposta superioridade técnica virou, com uma intensidade nunca antes vista em eleições, uma arma contra os rivais. A associação entre o instituto e o jornal provocou uma espécie de caça às bruxas no início do ano. Os alvos foram dois concorrentes mineiros, o Sensus, de Ricardo Guedes, e o Vox Populi, de Marcos Coimbra.

Agora, a menos de um mês da eleição, o Datafolha vê-se enredado na própria armadilha. Depois de uma correção brutal de rumo – em três semanas e meia o instituto saiu de um empate técnico de Dilma com o tucano José Serra para uma acachapante vantagem de 20 pontos porcentuais da petista – é a empresa dirigida pelo sociólogo Mauro Paulino que está na berlinda.

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 611, já nas bancas

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