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Política econômica

A América Latina deixa a adolescência

por Paulo Daniel — publicado 10/12/2010 07h10, última modificação 10/12/2010 09h40
O cenário econômico e ideológico latino-americano mudou, queiram ou não, está mais diversificado, repleto de ideias e propostas, com enraizamento na história latino-americana

O cenário econômico e ideológico latino-americano mudou, queiram ou não, está mais diversificado, repleto de ideias e propostas, com enraizamento na história latino-americana.

Na década de 90 as teses liberais transformaram-se em senso comum dos governos do continente. Foi a “golden age” das privatizações, da desregulamentação dos mercados, da livre mobilidade de capitais, sem contar a crença cega da extinção das fronteiras e na utopia da globalização.

Mas mesmo depois das derrotas neoliberais, os governos recém-eleitos, sem exceção, mantiveram o modelo econômico vigente, Hugo Chávez, por exemplo, em seu primeiro ano de governo, manteve religiosamente os pagamentos de juros da dívida externa venezuelana, sem nenhuma renegociação.

Concretamente ainda não existe um projeto socialista, aliás, estamos anos luz de distância disso, mas, também, não mais estamos rezando em uma cartilha liberal como no início dos anos 90.

Na Argentina, com as políticas implementadas por Néstor e agora por Cristina Kirchner, estão cada vez mais distantes de Menem, ao transformar em prioridade absoluta de seus governos a criação de empregos e a recuperação da massa salarial de seu povo.

Na Bolívia e na Venezuela o ponto central está sendo o desenvolvimento e a criação de um núcleo produtivo estatal com capacidade estratégica de liderar o desenvolvimento dos países na perspectiva de construção da cidadania.

Quanto ao Equador, um país petroleiro, nos dá um exemplo de como utilizar suas reservas petrolíferas sem explorá-las diretamente. O governo equatoriano e o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) assinaram um acordo que prevê não explorar um campo de petróleo em uma área de proteção ambiental na Amazônia; como compensação por deixar intacto o equivalente a 13% de suas reservas de óleo, o país pretende receber pelo menos, US$ 3,5 bilhões de nações ricas.

No Brasil, principalmente a partir do segundo governo Lula, vivemos um momento claro de consolidação da inclusão social e crescimento econômico, evidentemente, sem o objetivo estratégico de construir o socialismo, mas sim, em “destravar o capitalismo brasileiro”, de certa maneira, retomou-se o velho projeto desenvolvimentista da década de 30, na qual somente foi interrompido nos anos 90.

Na crise financeira internacional que assolou o mundo, os governos latino-americanos não titubearam; utilizaram-se de políticas públicas anticíclicas o que tornou possível o início da recuperação econômica a partir da segunda metade de 2009.

Por fim, é através da política externa em que observa-se a maior independência dos países latino-americanos em relação aos EUA e outros países considerados desenvolvidos, como a Espanha que ainda possui forte influência sobre muitos países do continente. Criou-se a UNASUL, combateu-se a ALCA, ampliou-se as relações comerciais e econômicas entre si.

Isso é mais do que uma sinalização concreta que poderemos caminhar com as próprias pernas, sem tutelar e ser tutelado por ninguém, ou seja, estamos prontos a desenvolver nossos projetos de nação. Deixamos a adolescência e entramos na fase adulta como importantes partícipes da geoeconomia mundial…

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