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A “desinvenção” do Nordeste

por Coluna do Leitor — publicado 08/11/2010 11h40, última modificação 08/11/2010 11h40
O “retirante” não existe mais há pelo menos seis anos, um dos tantos méritos do Bolsa Família a ser melhor compreendido, escreve o leitor Túlio Muniz

Por Túlio Muniz*

Em “A invenção do Nordeste”, Durval Muniz  dá dimensão histórica de como ao longo dos séculos o Nordeste foi “inventado” como região de coesão imaginária entre diferentes populações que o compõem. Em grande medida, a invenção se deu para justificar a migração de mão de obra barata para outras regiões do país, notadamente para o Sudeste, a partir do século XIX e até hoje, ainda que com outras configurações, geralmente mão de obra especializada em setores determinados (confeitaria natalina, por exemplo). O “retirante” não existe mais há pelo menos seis anos, um dos tantos méritos do Bolsa Família a ser melhor compreendido.

Entretanto, tentar entender ódio e xenofobia que afloram no periódo pós-eleitoral pelo viés regional é um equívoco, e o próprio resultado da votação demonstra isso (Dilma perdeu por pouco no Sul, e, afinal, ganhou no Sudeste, no computo geral). É verdade que subsistem aspectos comuns entre potiguares, cearenses, piauienses, paraibanos e pernambucanos na religiosidade, na culinária e em tantos outros campos, mas daí a atribuir ao “nordestino” uma identidade única há uma distância enorme. E seria um desatino afirmar que paulistas e cariocas tem semelhanças por serem “sudestinos”.

Patente é que a desigualdade sócio-económica se concentra cá pelo “Nordeste”, e são necessários esforços que a reduzam. Cabe aos brasileiros, todos, fortalecer sua diversidade contra a “identidade nacional”, que se deteriora diante do país real que aflora a cada eleição.

Túlio Muniz, jornalista, Bacharel e Mestre em História pela UFC, doutorando na Universidade de Coimbra-Portugal, nasceu em Minas e é radicado no Ceará há mais de 15 anos.

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