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Política

Segundo turno

4 ministérios e 1 funeral

por Celso Marcondes — publicado 07/10/2010 16h14, última modificação 06/06/2015 18h17
Marina Silva breca especulações sobre cargos em futuros ministérios e Guilherme Leal afirma que não vai apoiar ninguém

[caption id="attachment_9217" align="alignleft" width="300" caption="Marina Silva breca especulações sobre cargos em futuros ministérios e Guilherme Leal afirma que não vai apoiar ninguém. Por Celso Marcondes. Foto: Régis Filho"][/caption]

Se Marina Silva e o Partido Verde decidirem apoiar um dos dois candidatos no segundo turno, estarão decretando o funeral do “projeto” que dizem sustentar. Se a negociação envolver o acerto prévio de cargos, o funeral será solene.

Ao que tudo indica, Marina tem consciência disso. Em reunião dos verdes nesta quarta-feira 6 ela se mostrou surpresa diante dos jornalistas. Eles repercutiam informação que corria pelos bastidores dando conta que o PSDB estaria disposto a oferecer 4 ministérios pelo apoio dos verdes – Meio Ambiente, Educação, Minas e Energia e Cidades. “Caramba, 4 ministérios? Do jeito que tem gente aí, basta pensar num conselho de estatal, já estaria muito bom”, ela disse, ao reafirmar que negociar cargos conflitava com seu projeto.

A decisão será tomada na convenção nacional do PV marcada para dia 17, com a presença de 90 delegados. Antes, uma plataforma de dez pontos será levada para as campanhas de Dilma e Serra, para que se posicionem diante dela. Ao mesmo tempo, Marina ouvirá seus comitês de campanha e o que ela chama de “forças vivas da sociedade” que a apoiaram.

Caso a decisão tivesse ficado restrita à direção nacional do PV, o apoio a José Serra já teria sido oficializado. Marina e seu grupo mais próximo, porém, entendem que o melhor caminho é o do que eles chamaram de “não participação”. Consiste em apresentar a referida plataforma de pontos para os dois candidatos e esperar que ambos assumam publicamente a adoção de parte dela. Feito isso, missão cumprida, teriam conseguido mudar a pauta de PT e PSDB.

Passadas as eleições, organizados dentro do PV e no Instituto de Desenvolvimento Sustentável, o IDS, consolidariam a proposta de “terceira via”, se preparariam para as eleições de 2012 e 2014.

Guilherme Leal, braço direito de Marina e seu candidato à vice, entrou em férias, mas antes afirmou aquela que deve também ser a posição de Marina. “Eu acho isso (subir no palanque de Serra ou Dilma) absolutamente pouco provável. Isso não faz parte dos meus planos, em absoluto”. Disse mais: “a candidatura de Marina Silva nasceu como uma preocupação com um projeto de País, e não de poder”.

Os dias que restam agora até a convenção serão usados para tentar convencer os dirigentes do PV que este é o melhor caminho. Apoiar abertamente um candidato é, segundo este ponto de vista colocar de novo em julgamento os 20 milhões de votos conseguidos no primeiro turno.

Se o candidato apoiado por Marina e o PV ganhar, eles seriam absorvidos pelo vencedor. Deixariam de ser “terceira via” para se converter em linha auxiliar da primeira ou da segunda via (como já ocorre nos governos em que o PV tem alguns cargos).

E se o candidato apoiado perder, estariam derrotados e humilhados, pois a derrota significaria que a maioria dos seus eleitores não o teria seguido no segundo turno. Uma catástrofe.

Para complicar, já deu para perceber que o “plebiscito” evitado pelos verdes no primeiro turno, não o será agora. Escolher um lado significaria dizer que PT e PSDB têm diferença entre eles e cairia por terra todo o discurso que deu base para a campanha de Marina.

Serão mais 10 dias de debates entre os verdes, 10 dias para Marina e seu grupo prevalecerem sobre os demais. Unanimidade será impossível. Foi por isso que ao decidirem pela realização da convenção os dirigentes do PV já disseram que serão permitidas as manifestações diferentes de cada indivíduo.

Mas no frigir dos ovos, todos sabem, principalmente Dilma e Serra, que o que importa não é a posição do PV, mas a de Marina. Sábio será o partido se não se descolar dela.

*Em sua página oficial na rede de microblogs Twitter, a candidata pediu “sugestões” aos seguidores sobre o segundo turno. E você, leitor, o que acha?

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