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Política

Entrevista

“Brasil deve calcular cuidadosamente o que quer e envolver Obama”

por André Barrocal publicado 31/12/2014 08h24, última modificação 31/12/2014 14h06
Antes da chegada de Joe Biden ao Brasil, o acadêmico Mark Langevin diz que o atrito com os Estados Unidos não está totalmente superado, mas que a postura de Dilma teve pouca repercussão em Washington
Agência Brasil
Joe Biden

Vice-presidente americano durante sua última visita ao Brasil

Em uma conversa reservada durante as eleições, Dilma Rousseff comentou que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, era “frágil”. Independentemente da opinião dela, Obama retomou a tentativa de estreitar laços com a petista. Foi um dos primeiros chefes de Estado a telefonar-lhe e parabenizá-la pela reeleição, quis encontrá-la pessoalmente semanas depois em uma reunião de líderes mundiais na Austrália e, agora, despacha o vice, Joe Biden, para representá-lo na nova posse de Dilma.

A principal missão de Biden é tentar agendar a data de uma visita da presidenta a Washington. Ela deveria ter viajado para lá em outubro de 2013, mas desistiu. O motivo foi a descoberta da espionagem praticada pela agência de segurança nacional dos EUA, a NSA, contra autoridades, cidadãos e empresas brasileiros. A revelação esfriou a relação pessoal entre Dilma e Obama. A petista cobrou um pedido formal de desculpas e a promessa de que este tipo de situação não se repetiria. Ele jamais respondeu.

O episódio também chamuscou Biden, desde 2011 escalado por Obama para ser um canal direto e independente das vias diplomáticas com Dilma. Durante a onda de notícias sobre a arapongagem, Biden recebeu em Washington um emissário de Dilma, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e dissera que os EUA “não faziam interceptações com finalidades políticas ou econômicas”. Dias depois, soube-se que a Dilma em pessoa fora “alvo” da bisbilhotagem.

Os atritos entre os dois governos não estão de todo superados, mas a dura reação de Dilma teve pouca repercussão em Washington, e Obama está decidido a reconstruir os laços com o Brasil em seu último biênio na Casa Branca, diz Mark Langevin, acadêmico norte-americano de tendências progressistas e estudioso das relações entre os dois países. “O Brasil deveria calcular cuidadosamente o que quer de Washington e agir para envolver Obama”, afirma Langevin, consultor da Associação Brasileira de Produtores de Algodão durante uma disputa internacional recentemente vencida contra produtores norte-americanos, uma das maiores vitórias do Brasil neste tipo de litígio.

Em entrevista por email a CartaCapital, o professor de governo e política na Universidade de Maryland (EUA) e pesquisador associado do Centro Universitário de Brasília (UniCeub) fala sobre o presente e o futuro da relação Brasil-EUA, do reatamento diplomático de Washington com Cuba e da decepção de setores progressistas norte-americanos com o governo Obama pela falta de mobilização popular, entre outros temas.

CartaCapital: Como Obama e a opinião pública norte-americana viram a dura reação do governo Dilma às revelações de espionagem da NSA contra o Brasil?

Mark Langevin: Dilma denunciou a espionagem nas Nações Unidas e cancelou sua visita com pouca reação de Washington e nos EUA. Alguns fatores ajudam a explicar a ausência de qualquer reação direta. O escândalo fui muito além do Brasil. Alcançou aliados importantes dos EUA, como Alemanha e México, e gerou toda uma repercussão midiática sobre o impacto das atividades da NSA nas liberdades civis e sobre política norte-americana de “guerra ao terror”. O caso do Brasil se tornou lateral.

CC: Por que Obama jamais pediu desculpas como Dilma cobrou?

ML: Certamente teria sido possível fazer um pedido público que respondesse às preocupações de Dilma e ao mesmo tempo expressasse a necessidade de enfrentar o terrorismo através de ações de inteligência e até mesmo de espionagem. E o momento era propício para incorporar o Brasil ao esforço de identificar e rastrear terroristas, especialmente por ter havido uma modesta cooperação bilateral nas questões de segurança da Copa do Mundo de 2014. Então, por que o silêncio da Casa Branca? Uma explicação convincente surge das relações históricas entre os representantes eleitos do governo dos EUA e os serviços de inteligência. A CIA e a NSA, entre outras agências, exercem uma autonomia real em relação aos políticos eleitos. Sabemos que os serviços de inteligência atuavam sem autorização legal negociando armas em troca de reféns com o governo revolucionário do Irã, imediatamente antes e imediatamente após a eleição presidencial de 1980 vencida por Ronald Reagan. Que financiaram a guerra contra-revolucionária contra o governo sandinista da Nicarágua durante a década de 1980, apesar de a lei proibir expressamente tal apoio. No início de 2014, descobrimos também que a CIA espionou funcionários do Senado que investigavam a CIA e outras agências envolvidas em tortura. Diante disso, é possível imaginar que Obama não soubesse totalmente da espionagem de aliados dos EUA. E se ele sabia ou não, não é tão relevante quanto sua relutância ou incapacidade para diminuir a autonomia da NSA e da CIA. Um pedido de desculpas ao Brasil teria sido equivalente a uma declaração pública contra a autonomia dos serviços de inteligência num momento em que o governo ainda é comprometido com a “guerra ao terror”. Obama pode estar trabalhando nos bastidores para limitar a autonomia da CIA e da NSA, mas ele optou por não confrontar estas agências publicamente.

CC: Esse episódio já está superado por parte de Obama e dos EUA ou ainda existiriam consequências para a relação com o Brasil?

ML: Não está superado, mas ambos os governos têm tentado diminuir o atrito. Claramente o governo dos EUA se recusa a cooperar com as autoridades brasileiras no que diz respeito à capacidade norte-americana de ciberespionagem e ciberataque, apesar dos esforços iniciais brasileiros para negociar um acordo de intercâmbio de informações sensíveis. O escândalo ensina a todos nós que precisamos nos proteger de amigos e inimigos. O governo dos EUA não vai resolver completamente as preocupações do Brasil, mas o Brasil pode e deve proteger funcionários do governo, empresas e cidadãos contra a espionagem e a guerra cibernética, qualquer que seja a origem. Assim como os EUA, o Brasil deveria divulgar regularmente a natureza e a origem dos ataques cibernéticos sofridos, a fim de impulsionar iniciativas multilaterais para processar os responsáveis. Desta forma, poderia construir uma maior liderança global no front da segurança cibernética, em vez de permitir que a espionagem dos EUA continue sem controle.

CC: Com apenas mais dois anos de mandato, Obama ainda tem interesse em construir uma relação estreita com o governo Dilma? Por quê?

ML: É evidente que ele busca superar o escândalo da espionagem e colocar as relações bilaterais com o Brasil de volta a um compasso construtivo antes do final de seu mandato. Obama dedica-se a um multilateralismo que serve aos interesses nacionais dos EUA especialmente por que esses interesses dizem respeito a grandes países em desenvolvimento que desafiam ou limitam o poder norte-americano. Nações como China, Rússia, Irã e agora Egito e Paquistão desempenham papéis centrais para limitar ou moldar o exercício do poder americano no mundo. Claro que Obama e Washington preferem que todos sigam a linha da liberalização dos mercados de capitais e de comércio, o desarmamento, mas um Plano B requer um esforço mais complexo e, neste cenário, o Brasil realmente desempenha um papel central. A Casa Branca gostaria por exemplo que o Brasil se engajasse em seu eixo estratégico, inclinando-se para os EUA e a União Europeia e, simultaneamente, intensificasse a oposição a movimentos mais agressivos da Rússia, trabalhasse para a plena incorporação da China à comunidade internacional e colaborasse para garantir que o regime iraniano modere sua política externa. A minha única preocupação é que Obama tem poucos conselheiros para ajudá-lo em relação a Brasília. Ele precisa de um espectro mais amplo de conselheiros com experiência e conhecimento sobre Brasil e América Latina. Por exemplo, os movimentos ambientais e trabalhistas norte-americanos trabalharam com suas contrapartes brasileiras na última década em uma série de questões nacionais e internacionais, mas a administração Obama não conseguiu incorporar adequadamente essas experiências. Ele deve se concentrar em questões prioritárias com Dilma, mas também deve compor um conjunto mais diversificado de políticos para assegurar que suas decisões não sejam baseadas em gravações de conversas de Dilma pela NSA. Se ampliar seu círculo de assessores sobre o Brasil, então é possível que os dois presidentes possam fazer progresso em uma série de questões nos próximos dois anos.

CC: Diria que para o governo Dilma haveria algum interesse ou vantagem em aproximar-se de um presidente "pato manco"?

ML: É um erro categorizar Obama como "pato manco". Nos últimos quatro anos, ele governou com um Congresso dividido. Em 2015 começa uma nova fase, em que o Partido Republicano detém maioria na Câmara e no Senado. De certa forma, isso torna o presidente mais flexível nas negociações com o Congresso e pressionado a tornar os conflitos mais transparentes para a opinião pública. Estes novos fatores podem fortalecer Obama como "legislador-em-chefe". Suas ações recentes para proteger imigrantes, sua concordância com a China sobre mudança climática e o acordo com Cuba são exemplos claros disso. O governo brasileiro deveria calcular cuidadosamente o que quer de Washington e agir para engajar Obama diretamente e no mais alto nível. A recente resolução do contencioso do algodão é emblemática. O Brasil alcançou uma solução sensata e pragmática que exigiu uma compensação financeira e diminuiu os subsídios agrícolas, ainda que gradualmente. O governo brasileiro é mais do que capaz de fazer avançar os seus interesses através de tais negociações pragmáticas com Washington, mas Brasília precisa decidir quais questões são prioridades para os próximos anos.

CC: Em que temas ou áreas ainda poderia haver algum tipo de colaboração próxima entre os dois países nos dois próximos anos?

ML: Como consequência do recente acordo EUA-China sobre mudança climática, o Brasil poderia fazer avançar sua própria agenda de economia de baixo carbono em conversações com Washington e através de fóruns multilaterais. Além disso, poderia considerar a formação de uma comunidade de segurança do Altântico Sul que incorpore países africanos bem como a UNASUL [União Sulamericana de Nações], mas com o apoio negociado dos EUA. Ao envolver Washington, o Brasil elevaria sua diplomacia à "alta política". No plano econômico, a resolução do contencioso do algodão abre a porta para a intensificação da cooperação em matéria de agricultura e biocombustíveis, o que poderia fazer a diferença para uma série de outros países. O Brasil também poderia negociar um acordo de imigração que facilite o reagrupamento entre o crescente número de brasileiros e norte-americanos que agora compõem famílias binacionais. E suspender unilateralmente a exigência de visto de turista para norte-americanos, para virar a mesa em Washington e galvanizar mais apoio. Este tipo de movimento unilateral transmitiria um sinal direto a Washington de que o governo brasileiro vai defender os interesses nacionais e soberanos com ou sem a cooperação dos políticos norte-americanos.

CC: Os EUA são um mercado importante para as exportações de manufaturados do Brasil. A economia norte-americana está de fato num processo de retomada ou ainda é incerto?

ML: A economia está em recuperação do rescaldo devastador da catástrofe de Wall Street em 2007, o desemprego está retornando às médias históricas, embora lentamente, mas precisa ser feito mais para estimular a demanda. Independentemente do ritmo de recuperação da economia norte-americana, o Brasil deveria facilitar a integração de sua base fabril em cadeias produtivas de maior valor agregado, a maioria das quais é coordenada por companhias sediadas nos EUA e na Europa. Do contrário, a base industrial do Brasil continuará a produzir marcas como Embraer e Marco Polo, mas ficará aquém do seu potencial de produção. Muitas empresas industriais brasileiras têm vantagens competitivas, incluindo tecnologia e engenharia, mas são muito pequenas para conquistar o mercado global. O mercado dos EUA, e suas principais empresas industriais e de serviços, proporcionam oportunidades para a indústria brasileira dar um salto na próxima década. A questão é a forma como os líderes políticos e industriais brasileiros entendem esta oportunidade e respondem a ela. O primeiro passo deve ser maior atenção à forma como Washington faz política econômica e comercial, seguido de um esforço para entrar no jogo nos conforme os interesse do Brasil.

CC: Acredita que a política externa dos EUA para o Brasil mudaria na hipótese de uma vitória dos republicanos na eleição de 2016? Por quê?

ML: Democratas e republicanos são ainda demasiado desinformados em tudo sobre o Brasil. Um número crescente de legisladores já está consciente de que o Brasil é um país importante, mas sem saber muito sobre o país, sua história ou o estado das relações bilaterais. Por outro lado, o governo brasileiro e os principais setores da sociedade civil sempre relutam em manter e expandir uma presença permanente em Washington e nos EUA que explique os interesses do país aos norte-americanos de maneira verdadeiramente acessível ao público em geral. O Brasil é praticamente ausente das discussões sobre comércio em Washington, exceto quando se pronuncia sobre a necessidade de renovar os compromissos da Rodada Doha. Não há nenhuma boa razão para o Brasil ficar à margem em Washington, suas posições comerciais são defensáveis e deveriam avançar através do tribunal da opinião pública dos EUA, onde e quando possível, de preferência antes das eleições presidenciais de 2016. Se os líderes brasileiros não se engajarem com a população dos EUA, então os candidatos presidenciais de qualquer partido vão subestimar o Brasil e deixar Brasília de lado.

CC: Cuba é um parceiro histórico do Brasil e acaba de reatar relações diplomáticas com os EUA. Por que o governo Obama apoiou esta reaproximação?

ML: O clamor pela normalização das relações com Cuba cresceu nos últimos anos em ambos os partidos [Democrata e Republicano]. O único obstáculo é o estado da Flórida e seu papel decisivo na eleição presidencial. A Flórida é um campo de batalha dentro do colégio eleitoral que elege o presidente dos EUA. Atualmente detém 29 votos no colégio, de um total nacional de 538. É extremamente difícil conquistar a Presidência dos EUA, com 270 ou mais votos no colégio, sem ganhar os votos da Flórida. No entanto, a Flórida é o reduto da oposição mais forte à normalização das relações com Cuba, reduto da comunidade cubano-americana, de indústrias que podem sofrer com a normalização, como os produtores de açúcar, setor dominado por uma família cubano-americana, a Fanjul. Para ganhar na Florida, presidentes como Clinton, George W. Bush e Obama tiveram de cortejar esses interesses locais ou evitar a questão de Cuba por completo. Agora que está em seus últimos anos no cargo, Obama é relativamente livre para enfrentar estes interesses. Quando se olha para os candidatos presidenciais, incluindo Hillary Clinton, o entusiasmo com o acordo fica meio contido, mas é apenas uma questão de tempo para que turistas brasileiros e norte-americanos possam finalmente compartilhar uma noite de mambo juntos em Havana.

CC: Como a opinião pública e o Partido Republicano reagiram ao reatamento com Cuba?

ML: De acordo com uma pesquisa Gallup, 60% dos norte-americanos apoiam e aqueles que se opõem são amplamente identificados com o Partido Republicano. Senadores republicanos como Marco Rubio, da Flórida, e Ted Cruz, do Texas, ameaçam suspender qualquer financiamento necessário à reabertura da embaixada dos EUA em Havana. Apesar de suas posições galvanizarem apoio entre os cubano-americanos mais velhos da Flórida, eles podem ter problemas em suas perspectivas para a eleição de 2016. Normalizar as relações com Cuba pode criar um apoio adicional aos candidatos favoráveis ao acordo e ao fim do embargo econômico entre os eleitores floridians [nascidos na Florida] mais jovens. Mais do que qualquer outro tema de política externa, a oposição ao acordo com Cuba expõe a fraqueza primária do Partido Republicano, sua distância dos jovens que apoiam um maior multilateralismo nas relações exteriores e uma maior tolerância em políticas como a legalização da maconha e o casamento gay.

CC: Sem o apoio da maioria nas duas casas do Congresso, como será o fim de mandato de Obama?

ML: Ironicamente, estes próximos dois anos podem ser pontuados por explosões de conflitos e momentos críticos capazes de moldar as políticas econômica e externa no futuro. Hoje, os EUA se desenvolvem como duas nações distintas. Uma muito progressista, muito produtiva e internacionalista, com um compromisso com o multilateralismo. Esta nação está enraizada nos centros urbanos altamente produtivos, no leste, no oeste e em lugares como Atlanta, Chicago e Houston. A outra nação é conservadora, suburbana e em sua maioria mais velha e branca. Esta nação não controla mais as estruturas econômicas produtivas e é em grande parte alicerçada nos estados do Sul, onde a agricultura subsidiada, a indústria não-sindicalizada e as bases militares servem como base econômica. O futuro desta nação é limitado, mas sua liderança política, concentrada no Partido Republicano, é dedicada à obstrução, incluindo esforços para diminuir a mobilização de minorias étnicas e de estudantes universitários de todo o país. No entanto, a fim de ganhar a Presidência em 2016, os congressistas republicanos precisam demonstrar, depois de anos de obstrução ao governo Obama, que podem efetivamente negociar e governar. A questão é saber se as divisões internas no Partido Republicano permitem tais negociações no Congresso e com o governo.

CC: Por toda a expectativa criada por setores progressistas em torno da gestão Obama, já dá para dizer que o governo dele foi uma decepção?

ML: Obama superou a obstrução republicana para avançar na recuperação econômica e promover uma série de causas progressistas, do casamento gay à reforma da imigração, além da reforma na saúde que muitos, especialmente os republicanos, têm apontado como uma definição singular de sua Presidência. Os progressistas compreendem as consequências e os limites impostos pela obstrução republicana, mas são verdadeiramente decepcionados com a falta de vontade do presidente para promover mobilizações populares em defesa de suas próprias posições. Embora o presidente tenha negociado uma reforma da saúde, ele falhou em construir um plano nacional para todos os cidadãos e residentes. Mostrou seu decidido apoio aos imigrantes e a seu direito humano fundamental de reconhecimento como residentes permanentes legais, mas tem feito pouco para promover uma mobilização nacional capaz de garantir que o Congresso, e em particular a maioria republicana na Câmara dos Deputados, não negligencie a urgentemente necessária reforma da imigração. Obama tem claramente defendido posições políticas progressistas, mas não foi capaz de usar sua liderança de forma convincente para conduzir o tipo de mobilização popular que ele tinha invocado em sua campanha de 2008, uma ironia que tem levado muitos progressistas a repudiá-lo como excessivamente elitista. O tempo dirá, mas parece que ele vai aproveitar todas as oportunidades para avançar posições políticas progressistas dentro dos limites impostos por um Congresso republicano.