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Coluna Econômica

Ainda não é a hora de Eduardo Campos

por Luis Nassif publicado 07/03/2013 10h45, última modificação 07/03/2013 10h46
Há um cavalo passando encilhado na frente de Campos. Sua dúvida maior: seria um alazão ou um pangaré?

Primeiro, as virtudes de Eduardo Campos, governador de Pernambuco.

É um notável gestor, talvez o melhor governador da atualidade. Usou como ninguém as ferramentas de gestão e mostrou uma força política à altura do avô Miguel Arraes. Simplesmente destruiu a oposição em Pernambuco – no que bastante auxiliado pelo desempenho medíocre do PT estadual.

Desperta a simpatia do empresários do sudeste por sua característica de gestor e pelo fato de não se acreditar na candidatura de Aécio Neves.

A grande bandeira imposta a Aécio pela banda paulista do PSDB foi a de ressuscitar a imagem de Fernando Henrique Cardoso. Entre analistas de grandes grupos, a estratégia aumentou o desânimo com sua candidatura.

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É nesse quadro que alguns grupos atraíram Campos, que foi picado pela mosca azul.

Mas são vários os motivos para se apostar que não sairá candidato.

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O primeiro ponto de análise são as condições objetivas de sua candidatura. A possibilidade de vitória é mínima.

Hoje em dia, Campos é conhecido apenas em seu estado, Pernambuco, e em algum outro estado vizinho, como a Paraíba.

Apesar da inegável importância histórica de Pernambuco, o estado nunca teve expressão política maior na região – ao contrário da Bahia, por exemplo.

Sua candidatura significaria expelir o PSB da base governista, com implicações diretas sobre o trabalho – e a possibilidade de reeleição – dos atuais governadores.

No Ceará, o governador Cid Gomes, e seu irmão Ciro, já manifestaram-se contra a candidatura para 2014. Há sinais de desagrado de outros governadores do PSB.

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Alguns grupos sonham com a possibilidade do PSDB abrir mão de Aécio e adotar Campos.

Seria um suicídio para ambos. Sem uma candidatura própria, o PSDB desaparece do mapa político. E Geraldo Alckmin já informou o partido que não abrirá mão da tentativa de reeleição em São Paulo.

Aí se entra em um segundo ponto importante de análise: sua candidatura garantirá visibilidade para 2018 ou queimará o seu filme?

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Há mais probabilidades da segunda hipótese.

Campos vem de uma tradição de esquerda, do avô Miguel Arraes. A mídia do eixo Rio-São Paulo só apoiaria um candidato que radicalizasse o discurso à direita. Como ficaria o legado de Campos, se endossar esse receituário?

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Seus últimos movimentos acenderam a luz amarela na base governista. Fortaleceram o PMDB como principal partido aliado, acabando com o sonho de substituí-lo pelo PSB.

Da parte de Lula, há esperança de que Campos não atravesse o Rubicão.

Nas próximas semanas, haverá dois movimentos paralelos para atrair Campos.

O primeiro, a negociação para ser candidato em 2018, mas sem nenhuma chance de ser candidato a vice de Dilma em 2014. Promessas políticas de longo prazo são de baixa validade. Não é por aí que Campos será demovido de suas intenções.

Na outra frente, articula-se o lançamento de novas candidaturas ao governo de Pernambuco, envolvendo o empresário Armando Monteiro (ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria) e o atual ministro da Integração Nacional Fernando Bezerra.

Há um cavalo passando encilhado na frente de Campos. Sua dúvida maior: seria um alazão ou um pangaré?

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