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Política

Classe C

'Puxadinho' eleva gastos com moradia

por Redação Carta Capital — publicado 27/07/2011 10h14, última modificação 27/07/2011 18h53
Segundo pesquisa do Data Popular, nova classe média impulsiona a construção civil e prioriza reformar a própria casa em vez de procurar nova moradia
'Puxadinho' eleva gastos com moradia

Segundo pesquisa do Data Popular, nova classe média impulsiona a construção civil e prioriza reformar a própria casa em vez de procurar nova moradia

Nos últimos anos, na esteira do crescimento econômico e da entrada de milhões de famílias no mercado de consumo, o Brasil passou a viver um boom da construção civil que multiplicou os canteiros de obras pelo País. O movimento, no entanto, não se resume apenas aos lançamentos de novos lotes. A situação econômica possibilitou que boa parte das famílias das classes emergentes promovesse reformas na estrutura de suas próprias casas.

É o que aponta uma pesquisa divulgada pelo instituto Data Popular que, em parceria com o movimento Clube da Reforma, diagnosticou que as classes emergentes possuem hoje o maior número de famílias que pretendem fazer algum reparo em suas moradias, sobretudo nas capitais do Nordeste. O estudo foi realizado em 5.000 domicílios das principais regiões metropolitanas do País no último trimestre de 2010.

Em 2010, mostra a pesquisa, 25 milhões de famílias brasileiras realizaram reformas em suas casas. Desses, 3 milhões eram da classe A ou B (35,4% das pessoas dessas camadas) e mais de 20 milhões, das classes C, D e E. Naquele ano, 11,9 milhões de famílias da classe C (45% delas) e 10,8 milhões das classes D e E (49,8%) fizeram algum tipo de reparo em suas residências.

No Brasil, são consideradas como classe C as famílias que têm como rendimento entre 1.635 reais a 5.450 reais. Na classe B, o rendimento mensal é de até 10.900 – e a classe A, acima disso.

O instituto apontou que hoje no País existem mais famílias interessadas em promover reformas em suas casas do que em gastar com novas aquisições. Na classe C, por exemplo, 41% dos entrevistados dizem ter a intenção de reformar a casa (contra 35% das classes A e B e 40% das classes D e E). Em todos os grupos, o número de interessados em comprar uma nova casa é menor: 19% nas classes A e B, 16% na classe C e 15% das classes D e E.

Juntas, as classes C, D e E representam um total de quase 20 milhões de famílias com intenção de fazer algum tipo de reparo em imóveis neste ano (contra 7,5 milhões que preferem comprar um imóvel). Nas classes A e B existem 3 milhões de famílias que pretendem reformar suas casas e outras 1,6 milhão que buscam um novo lugar para morar.

De acordo com o Data Popular, os maiores percentuais de brasileiros que pretendem reformar sua casa ou apartamento nos próximos 12 meses estão em cidades da região Nordeste. Em Salvador, 56% dos entrevistados têm essa intenção e, em Recife, o índice chega a 49%. Curitiba (42%) aparece em terceiro lugar, seguida por Fortaleza (38%), São Paulo (36%), Porto Alegre (33%), Rio de Janeiro (30%), Belo Horizonte (27%) e Brasília (27%).

O instituto mostrou também os gastos cresceram nos últimos anos. Em 2003, os brasileiros investiram ao todo 71,9 bilhões de reais em habitação. Mais da metade dos gastos (58,6%) foram para compras de novas casas ou apartamentos. Grande parte desses gastos aconteceu nas classes A e B, responsáveis por movimentar 52,9 bilhões de reais – dos quais 68,1% foram direcionados a novas casas. Na classe C, 67,2% dos gastos (15,9 bilhões de reais) se concentraram em reformas na própria residência. Já nas classes D e E a proporção chegava a 72,2% dos 3,1 bilhões investidos no setor.

Sete anos depois, os gastos aumentaram substancialmente em todo o País, mas as reformas passaram a ter peso maior: 31,1% dos 117 bilhões movimentados pelo setor. As classes A e B passaram a gastar mais em aquisição de imóveis (78% dos 79 bilhões) do que no passado. Em compensação, com mais peso na economia, a classe C passou a investir 31 bilhões de reais com moradia, dos quais 48,4% eram para promover reparos. As classes D e E também passaram a consumir mais: 7 bilhões de reais, dos quais 62,5% foram direcionados para reforma.

As despesas com reformas, portanto, cresceram mais entre a população mais pobre. A avaliação do instituto é que, dentro do novo cenário, com parcela considerável da população brasileira residindo em habitações próprias, recém-adquiridas, haja uma ampliação significativa dos gastos com reforma nos próximos anos.

O Norte e o Nordeste são as regiões onde a proporção de gastos com reforma é maior em relação à compra da casa própria, segundo a pesquisa. Na primeira região, foram gastos no ano passado 2,1 bilhões de reais em reformas e 3,6 bilhões em novas aquisições. No Nordeste, foram 11,6 bilhões de reais em compras, e 5,4 bilhões em reparos.

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