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Política

Entrevista

“A prova é a minha palavra”, diz Agnelo Queiroz sobre acusação de propina

por Leandro Fortes — publicado 14/11/2011 16h02, última modificação 14/11/2011 16h02
Queiroz rebate as acusações e diz que o dinheiro depositado em sua conta foi o pagamento de um empréstimo

Em entrevista a CartaCapital, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), rebate acusações e afirma que o dinheiro depositado em sua conta por Daniel Tavares foi o pagamento de um empréstimo.

Veja a íntegra abaixo:

CartaCapital: Qual é a ligação entre o depósito de 5 mil reais feito na sua conta, por Daniel Tavares, e a autorização concedida pelo senhor,  quando diretor da Anvisa, para a empresa União Química, à qual ele representava?

Agnelo Queiroz: Conheço o Daniel desde menino, quando ele trabalhava com o pessoal da juventude do PCdoB. Depois ele foi trabalhar nas campanhas eleitorais do partido, acompanhava Messias de Souza (dirigente do PCdoB em Brasília), dirigia para ele. Daniel também trabalhava para um grande amigo meu, Fernando Marques, da União Química. Era uma espécie de secretário, nunca foi lobista, era um faz-tudo. Ele me pediu os 5 mil reais, eu emprestei. Para me pagar, segundo me disse à época, teve de pegar um empréstimo no banco. E foi um pagamento de conta corrente para conta corrente. É menosprezar a inteligência das pessoas achar que alguém vai se vender por 5 mil reais e o pagamento da propina vir da conta corrente do corruptor para a conta corrente do corrompido. Foi um empréstimo, tudo feito na absoluta normalidade.

CC: O depósito de Daniel na sua conta foi feito no mesmo dia (25 de janeiro de 2008) em que o senhor autorizou a empresa representada por ele a participar de licitações no governo federal. Foi só coincidência?

AQ: As pessoas não sabem como é o procedimento para se retirar o certificado de Boas Práticas de Fabricação. Nenhum diretor da Anvisa pode dar, monocraticamente, esse certificado. Só se fez essa relação porque houve a coincidência de datas. Mas é desconhecimento absoluto do processo. Para se dar uma certificação dessas, há uma inspeção na fábrica, para ver se a empresa atende a todos os requisitos necessários. E essa inspeção é feita pelas vigilâncias sanitárias dos municípios e dos estados. Mesmo que o presidente da Anvisa queira dar um certificado de boas práticas a alguém, não poderá fazer isso sem respeitar todos esses procedimentos. A Anvisa tem esses relatórios, é parte de um processo. A Anvisa está auditando isso e vou provar que só faz uma acusação dessas quem não conhece como funciona a vigilância sanitária. É processo super-rigoroso. Não é um pedido que gera um despacho e pronto. Isso é um desconhecimento absurdo. A questão das datas é só uma coincidência infeliz.

CC: Mas o senhor não tem nenhuma prova de que fez esse empréstimo? De qual banco esse dinheiro foi sacado?

AQ: A prova é minha palavra que emprestei para ele. Não há saque registrado porque eu tinha esse dinheiro em casa. Quem mora em casa sabe que é preciso ter algum dinheiro à mão, para o caso de uma eventualidade.

CC: A quem o senhor atribui a origem dessas denúncias?

AQ: A esses grupos que governaram o Distrito Federal por quase 20 anos, ligados aos ex-governadores Joaquim Roriz e José Roberto Arruda. Eles montaram uma organização criminosa e hoje as duas deputadas (Eliana Pedrosa e Celina Leão) representam, justamente, o submundo da política no Distrito Federal. Representam os interesses que foram contrariados com a minha eleição. Usaram desse mesmo método, o de pagar testemunhas falsas, durante a campanha eleitoral do ano passado, quando até em um caso de pedofilia tentaram me envolver.

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