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Política

Rodrigo Martins

Entrevista

12.05.2011 18:47

“O Brasil tem o dever de reduzir as assimetrias do Mercosul”

O Senado aprovou, na quarta-feira 11, um acordo entre Brasil e Paraguai que triplica o valor da remuneração extra paga pelo governo brasileiro pela energia da usina de Itaipu não utilizada pelos paraguaios. A tarifa da energia em si não muda: permanece 43,8 dólares por megawatt hora (MWh). Mas a taxa adicional passa de cerca de 3 dólares por MWh para 9 dólares. Com o reajuste, o repasse desse valor extra deve passar de 120 milhões de dólares por ano para 360 milhões. Relatora do projeto de decreto legislativo, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), ex-diretora financeira de Itaipu, afirmou a CartaCapital que os consumidores não pagarão mais pela energia. “O reajuste será custeado pelo Tesouro Nacional e visa diminuir as assimetrias comerciais entre os dois países e fortalecer o Mercosul”. Confira, a seguir, a entrevista.

CartaCapital: Por que foi reajustado o contrato de Itaipu?
Gleisi Hoffmann:
Trata-se de um acordo internacional entre Brasil e Paraguai firmado no fim de 2009, ainda no governo Lula. Só que o presidente precisava do aval dos deputados e senadores e submeteu a proposta ao Congresso Nacional. O reajuste é uma reivindicação antiga do governo paraguaio. Em razão do Tratado de Itaipu, eles estão obrigados a nos vender a energia excedente até 2023. Só que os valores não eram reajustados desde 2005.

CC: O valor do aumento é justo?
GH:
Atualmente, nós pagamos cerca de 3 dólares por megawatt/hora (MWh). Com o reajuste, pagaremos algo em torno de 9 dólares, o triplo. Parece muito, mas na verdade o custo médio da energia em território nacional é 137 reais, pouco mais de 80 dólares. O recente aumento é fruto de uma negociação contratual entre os dois países. Nós precisamos da energia do Paraguai e eles têm a obrigação de vendê-la para nós, mas isso não significa que podemos pagar um valor irrisório, isso não seria justo.

CC: Trata-se de uma medida para diminuir as assimetrias comerciais entre os dois países?
GH:
Exatamente. Não podemos deixar à míngua os nossos vizinhos. O Brasil exerce uma liderança regional, mas também tem a responsabilidade de combater as assimetrias entre os países membros do Mercosul, até para fortalecer o bloco econômico. Foi o que fez a Alemanha durante a formação da União Europeia. Os alemães chegaram a criar fundos de desenvolvimento regional e tiveram papel decisivo para o êxito do bloco econômico europeu.

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Sua opinião

  1. almir albuquerque disse:
    Parabens pela medida,se não gostamos de sermos explorados não devemosfazer com os outros e o mais importante após 2023 que o contrato acaba temos moral e credito para negociarmos um novo contrato, porque fomos justos e conciente com a realidade do mercado,e com certeza não só o Paraguai ver isso como todos o mundo, é um belo explo para um Pais que prega a igualdade,mais uma vez parabens para este -torneiro o mecanico e eterno presidente em nossos coraçoõe Luiz Inacio Lula da Silva e para a nossa Presidenta ,que tem o mesmo pensamento. Pra frente Brasil
  2. edi disse:
    Os que pensam em fortalecer economicamente o Brasil sem uma visão solidária em relação aos países do hemisfério Sul se deixam apequenar por políticas retrógradas e desumanas, praticadas nesse país durante a ditadura militar e até FHC. A petrolífera construída na Bolívia foi outro exemplo de política desumana. Aproveitando-se por ter construído a usina, o governo brasileiro à época comprava gás e petróleo por um preço vil, enquanto a Bolívia vivia em estado de pobreza. Outros países se aproveitaram da Bolívia e exatamente por conta disso Evo Molares estatizou todas as transnacionais instaladas lá. Pela relação de respeito estabelecida com o presidente Lula, Morales não estatizou a Petrobras, e sim resolveu vendê-la por um preço justo para os dois países. “Atitudes são sementes”... Com Itaipu não é diferente. Aproveitando-se do fato de CONSTRUIR a usina muitos brasileiros achavam que deveriam lucrar com a água do Paraguai, por décadas, pagando um preço quase simbólico na compra da energia excedente não utilizada naquele país. Está de parabéns a senadora do PT e o governo brasileiro por não “querer vencer pisando na garganta dos outros”. Sobre os EUA, vale lembrar que o NAFTA desestabilizou o México e o Canadá. Essa é a máxima americana:”vencer,vencer e vencer”, não importa a que custo. O presidente Lula rechaçou a ALCA e felizmente a presidenta Dilma também dá sinais de que não vai querer fazer do Brasil “Um quintal dos Estados Unidos”
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