Você está aqui: Página Inicial / Mais Admiradas / Percepções mudam. Posições também

Mais Admiradas

As Empresas Mais Admiradas no Brasil

Percepções mudam. Posições também

por Paulo Secches — publicado 26/10/2015 08h49, última modificação 26/10/2015 17h05
Em seu 18.º ano, a pesquisa capta a ascensão de outros valores da admiração
Marcel Lisboa
Appe, Google e Ambev

Apple, Google e AmBev foram eleitas, nesta ordem, as empresas mais admiradas no Brasil em 2015

Selo-As-Mais-AdmiradasNos 18 anos de desenvolvimento deste projeto, tornaram-se muito claros os caminhos possíveis para a construção da admiração corporativa. Existem, sem dúvida, seis vias nessa direção.

São elas a qualidade de produtos e serviços colocados no mercado, a postura e o comprometimento com a ética, a qualidade da gestão, a inovação, a dimensão humana e a capacidade de competir globalmente.

O comprometimento com a qualidade de produtos e serviços anda ao lado de respeito pelo consumidor. Na liderança dessa dimensão, encontramos empresas como Nestlé e Apple, seguidas por Natura, Itaú Unibanco e Unilever.

Outro caminho é o do comprometimento com a ética, liderado por Natura e Itaú Unibanco. Em qualidade de gestão, que caminha junto à solidez financeira, a liderança é do Itaú Unibanco, seguido por AmBev e Bradesco.

Inovação é a dimensão em que os destaques vão para Apple e Google. A dimensão humana, fator que já foi muito mais importante do que hoje, é composta de um conjunto de elementos como responsabilidade social, compromisso com o desenvolvimento sustentável e compromisso com as relações humanas.

Essa dimensão da admiração é fortemente dominada pela Natura, seguida de Itaú e, mais atrás, por Boticário.

As-10-mais-admiradas

A capacidade de competir globalmente é um diferencial que não se limita a empresas internacionais como Apple, Google e Coca-Cola. AmBev e Embraer, pelas suas trajetórias de negócios, também lideram nessa dimensão.

Esses 18 anos de As Empresas Mais Admiradas no Brasil nos ensinaram que existem diferentes caminhos para construir a admiração por uma empresa.

Se quisermos ser sintéticos, poderemos dizer que a Nestlé construiu a sua admiração centrada na qualidade de seus produtos e serviços, e respeito pelos consumidores.

A Natura, com base na ética e na dimensão humana. O Itaú Unibanco, pela capacidade de gestão e solidez.

Apple e Google, a partir da inovação, e AmBev, por sua capacidade de competir globalmente.

Mas, sem dúvida, esta síntese contém uma simplificação, na medida em que a admiração, de fato, é resultante da ação combinada dessas diferentes dimensões.

Observe-se o caso espetacular da evolução do Itaú Unibanco. 

Outra empresa, que claramente atingiu o seu ápice entre 2011 e 2013, vem em um processo de perda das primeiras posições no ranking geral, pois vem se enfraquecendo em várias dimensões, ainda que mantenha o primeiro lugar naquilo que lhe é core: ética e humanidade. Isso nos mostra que existem seis caminhos para construir a admiração, mas a sua sustentabilidade não ocorre por apenas uma dimensão.

Vertentes-da-imagem-Itaú-Unibanco

A admiração sustentável é a resultante de uma visão holística da empresa e da sua percepção de que ela é bem gerida, sólida financeiramente, mas, ao mesmo tempo, ética, responsável em relação à sociedade na qual está inserida, ao desenvolvimento sustentável, às relações humanas e com os consumidores, e à qualidade dos seus produtos e serviços. Uma missão hercúlea. Por isso, são poucas as mais admiradas que se sustentam nessa condição. 

As-mais-admiradas

Líderes-mais-admirados

O todo e as partes 

Organização adotada em edições recentes das Mais Admiradas, os macrossetores possibilitam cruzamentos mais complexos e profundos. Em um ambiente de negócios cuja tendência é de convergência e de competição entre diferentes companhias, faz todo sentido medir a admiração entre empresas que, na superfície, parecem pertencer a universos distintos.

Só na superfície. Das finanças ao varejo, os papéis se misturam, se confundem, dada a capilaridade crescente desencadeada pelas transformações em escala global das telecomunicações. No universo ainda em formação da internet e das redes sociais, a sobrevivência exige mutações, clama por adaptação. Cabe até mimetizar os bons exemplos, venham de onde vierem. Só há uma certeza: os dinossauros não vão sobreviver.

Divisão-por-macrossetores

Paulo Secches é presidente da Officina Sophia. Consultor responsável pela metodologia do projeto As Mais Admiradas no Brasil.