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Mais Admiradas 2013

O otimismo dá as caras

por Luiz Antonio Cintra — publicado 30/10/2013 15h36, última modificação 30/10/2013 15h50
Diretor-presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco vê uma mudança positiva no humor dos investidores estrangeiros em relação à economia brasileira
André Luy

O pessimismo na avaliação da atividade econômica no País tem sido exagerado e a economia já começou a ganhar velocidade. Essa é a avaliação do diretor-presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, que menciona dois fatos recentes para sustentar seu otimismo. Segundo o executivo, o leilão do campo de Libra e a emissão de 3 bilhões de dólares em títulos do Tesouro foram bem sucedidas e indicam uma mudança positiva no humor dos mercados financeiros em relação ao Brasil.

“No dia posterior à concessão de Libra, tivemos dois novos investimentos de capital privado voltados para a logística relativa ao processo de exploração de Libra. A expectativa que temos, que os mercados têm, é de continuidade e sucesso do programa de concessões, porque isso é crescimento na veia”, diz o executivo. Segundo o executivo, a modelagem para transferir à iniciativa privada, em parceria com a Petrobras, a exploração do campo de 8 a 12 bilhões de barris teria demonstrado estar correta. “As críticas à licitação são injustas. Foi uma operação muito bem sucedida. E não foi uma atitude tomada agora, mas após alguns anos em que o governo refletiu e preservou o poder da União, que é o poder concedente, para ficar com 41% da produção”, avalia.

Além da emissão do Tesouro, Trabuco menciona outro negócio de porte, uma captação de recursos externos realizada pelo grupo JBS, que levantou 1 bilhão de dólares dos investidores. “Quando emissões como essas são bem sucedidas e saem a um preço adequado, é sinal de que os investidores internacionais estão dando um voto de confiança para o País.”

Nos últimos meses, o debate sobre o ritmo da inflação levou uma parcela dos analistas econômicos a colocar o tema no centro das atenções. Segundo o presidente do banco, a atuação do Banco Central tem sido acertada e a alta dos preços tende a se desacelerar nos próximos semestres. “A inflação está sob controle e converge para uma meta inferior. A política monetária tem sido adequada e tem sido antecipatória. Houve um ciclo de aperto monetário, que já está chegando a um nível adequado para dar à economia uma melhor relação entre a demanda e a oferta de bens e serviços. Então o crescimento começa a aparecer.”

Na geopolítica das finanças, avalia o presidente do Bradesco, a Ásia jogará um papel cada vez mais decisivo. Principalmente na compra de empresas no País ou na construção de subsidiárias, não tanto como fonte de dinheiro para financiar a economia, posição que seguirá sendo ocupada pelos fundos norte-americanos, em primeiro lugar, e europeus, em segundo. Uma parcela dessa “onda asiática” virá na esteira das concessões de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. “Os pessimistas dizem que o País tem gargalo de infraestrutura, mas os otimistas vão dizer que possuímos um bônus de infraestrutura que fará o Brasil crescer. O portfólio de investimentos no Brasil é extremamente intenso, o que gerará crescimento.”