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Vizinhos ameaçam fechar as portas para refugiados sírios

por Gabriel Bonis publicado 26/01/2013 08h25, última modificação 26/01/2013 08h26
Diante da situação dramática e sem recursos para cuidar dos 670 mil imigrantes forçados, a ONU apela à comunidade internacional

 

A guerra civil na Síria, que se arrasta há 21 meses, está colocando em risco a estabilidade dos países vizinhos, que começam a demonstrar dificuldades em lidar com o intenso fluxo de refugiados. O Alto Comissariado para Refugiados da ONU (ACNUR) precisou apelar na sexta-feira 25 para que as nações próximas não fechem suas fronteiras às pessoas que fogem do conflito. Segundo o órgão, a situação é dramática na Jordânia. Além disso, os recursos estão se esgotando.

"Estamos gastando cada centavo recebido para ajudar os refugiados. Isso significa dar a centenas de milhares de pessoas na região [Jordânia, Líbano, Iraque, Egito e Turquia] acesso à saúde, locais para ficar e outros cuidados", diz Adrian Edwards, porta-voz do ACNUR em Genebra, a CartaCapital.

A Jordânia é um dos maiores destinos dos refugiados sírios. Cerca de 3 mil pessoas chegam por dia aos campos do país. Desde janeiro foram quase 30 mil, dos quais 10,5 mil cruzaram a fronteira somente nos últimos cinco dias. "É um número recorde de pessoas chegando com necessidades enormes."

Em meio a esse cenário, a Jordânia alertou que pode fechar suas fronteiras caso a situação se intensifique. Segundo o reino árabe, os recursos do país se esgotaram ao receber 280 mil refugiados nos últimos meses.

A crise na Síria já dura quase dois anos, forçando 670 mil pessoas a fugirem para Jordânia, Turquia, Líbano, Iraque e Egito. As previsões indicam que esse número ultrapassará 1 milhão até junho, o que representa o deslocamento de uma cidade inteira do tamanho de Campinas (SP).

Por isso, o ACNUR pediu 1,1 bilhão de dólares à comunidade internacional para a primeira metade deste ano.

Conseguiu apenas 18% do valor, mas países que não costumam colaborar com o órgão estão sensibilizados.

A China anunciou o envio de 1 milhão de dólares. "Ainda precisamos de muito dinheiro, que tem que chegar no mesmo ritmo dos gastos. Mas as necessidades estão crescendo muito mais rápido por causa do inverno", conta Edwards.

Com a mudança do clima, uma enchente atingiu o campo de Za’atri, na Jordânia. A ONU precisou enviar casas pré-fabricadas, 1 mil cobertores, 500 colchões e roupas, além de carregamentos de cascalho para elevar o nível do solo e melhorar o escoamento da água. No Líbano e Iraque foram registradas nevascas nos campos de refugiados.

As dificuldades também levaram o ACNUR a ampliar o programa de ajuda financeira a algumas famílias, relata Edwards.

No campo de Za’atri, cerca de 30 mil pessoas recebem um valor em dinheiro para despesas, pois 80% dos refugiados vivem em comunidades urbanas e o dinheiro ajuda os mais vulneráveis a custear gastos básicos, como aluguel. "Em uma situação volátil como essa, às vezes essa é a melhor forma de ajudar. Mas esse dinheiro vai acabar se não conseguirmos mais. E, neste momento, as necessidade superam os recursos."

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