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"Viva a liberdade", diz Yoani Sánchez ao chegar ao Brasil

por Redação Carta Capital — publicado 18/02/2013 18h39, última modificação 18/02/2013 18h39
A opositora cubana comenta apoio e críticas recebidas em sua visita ao País: "Oxalá em Cuba fosse assim"

A opositora cubana Yoani Sánchez não esperou muito para publicar, em seu perfil no Twitter, suas primeiras impressões sobre o Brasil. Ele iniciou no País um giro de três meses por 12 países da América Latina e Europa para inaugurar "uma nova etapa" em sua vida, após ser impedida de sair da ilha 20 vezes pelo governo comunista.

Alvo de apoio e críticas por sua postura logo na chegada, ela escreveu em seu microblog: “Ao chegar, muitos amigos me deram boas-vindas. Outras pessoas me gritaram insultos. Oxalá em Cuba fosse possível fazer o mesmo. Viva a liberdade”.

Foi a primeira de uma série de críticas feitas ao governo cubano longe da Ilha. A blogueira disse ter ficado impressionada, por exemplo, com o fato de que os funcionários de aeroportos no País falam sobre política sem embaraço.  “Em Cuba eles murmuram”, comparou.

Ela se disse “assombrada” com a dificuldade para se acessar a internet em Cuba em comparação a outros lugares.

A filóloga de 37 anos, autora do blog Generación Y, já adiantou que pretende passar pelos Estados Unidos e visitar as sedes da gigante Google e das redes sociais Twitter e Facebook. "Vou aprender tudo o que puder, e acredito que, depois desta viagem, estarei mais preparada, e que o Generación Y terá uma mudança qualitativa, porque sempre digo que na evolução está a vida", apostou a blogueira, que chegou ao aeroporto internacional de Havana acompanhada da mãe, do filho e do marido, o jornalista opositor Reinaldo Escobar.

Yoani, que recebeu o passaporte no último dia 31 de janeiro, pôde viajar graças a uma reforma migratória que entrou em vigor em 14 de janeiro e eliminou o visto de saída e a carta-convite que, por meio século, tornaram difícil e caro para os cubanos viajar ao exterior.

"Foram cinco anos de batalha (em que o governo a impediu de deixar a ilha) para que esse absurdo terminasse. Este domingo, atingimos a meta", comemorou a blogueira, que morou na Suíça e, depois, retornou à ilha.

Antes de embarcar, Yoani publicou no Twitter: "Meu nome não foi pronunciado nos alto-falantes, não me levaram até uma sala para tirar minha roupa ou ler a cartilha para mim. Tudo está indo bem."

No Twitter, ela havia prometido manter seus seguidores informados sobre a programação "intensa" de seu giro, agradeceu aos países que, "com tanta delicadeza e rapidez", concederam-lhe o visto, e alertou ao governo cubano que "nem sonhe" que ela não retornará à ilha.

A blogueira, impedida de visitar o Brasil em 2012 pelo governo cubano, anunciou que, como primeira atividade no país, participará, na Bahia, do lançamento do documentário "Conexão Cuba-Honduras" - filmado em 2009 pelo cineasta brasileiro Dado Galvão, e no qual é entrevistada - e, em seguida, viajará a São Paulo.

Havana acusa os blogueiros dissidentes - assim como os opositores - de serem mercenários a serviço de Washington, e Yoani de liderar a "ciberdissidência" a partir de seu blog.

O Generación Y recebeu em 2008 o Prêmio Ortega y Gasset, do jornal espanhol "El País" na categoria jornalismo digital. No mesmo ano, a revista "Time" selecionou Yoani como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo, e a rede de TV americana CNN elegeu seu blog entre os 25 melhores do planeta.

Desde a entrada em vigor da reforma migratória, vários opositores solicitaram o passaporte, entre eles a líder do grupo Damas de Branco, Berta Soler - impedida em 2005, pelo líder Fidel Castro, de comparecer ao Parlamento Europeu para receber o Prêmio Sakharov, de direitos humanos -, que pretende visitar Espanha e Alemanha.

 

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