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Vitória de Gingrich sobre Romney nos EUA reacende primárias republicanas

por AFP — publicado 22/01/2012 09h42, última modificação 22/01/2012 15h05
O resultado transforma agora a votação na Flórida no epicentro da disputa, diz analista
Gingrich

O conservador Gingrich venceu o moderado Mitt Romney com comodidad. Foto: AFP

COLUMBIA, EUA (AFP) - A vitória inesperada do ex-presidente da Câmara de Representantes Newt Gingrich, no sábado 21, na primária republicana da Carolina do Sul converte agora a Flórida em um campo de batalha para os aspirantes à Casa Branca.

O conservador Gingrich venceu o moderado Mitt Romney 40% dos votos contra a 27% - até agora, 95% das urnas estão apuradas. O ultraconservador Rick Santorum (17%) e o liberal Ron Paul (13%) ficaram na terceira e quarta colocações, respectivamente.

Durante seu discurso da vitória, Gingrich retomou o tom populista que tem lhe dado frutos durante sua campanha, atacando a elite, os meios de comunicação e o presidente democrata Barack Obama, a quem acusa de ter provocado "uma catástrofe" no país.

Sua vitória na Carolina do Sul, disse, é a dos americanos "que pensam que as elites de Washington e Nova York não nos entendem, não se preocupam com eles, não são dignas de confiança e, no fim das contas, não nos representam absolutamente".

Mitt Romney, que contava com a vitória na Carolina do Sul, reconheceu sua derrota considerando que a corrida será "longa" e "ainda mais interessante".

O ex-governador de Massachussetts, que encarna estas elites do nordeste americano repudiadas por Gingrich, declarou-se convencido de que será o escolhido para enfrentar Barack Obama nas eleições presidenciais de 6 de novembro.

Romney, até dois dias atrás o favorito indiscutível dos republicanos, terá de se recuperar nas primárias da Flórida em 31 de janeiro se ainda quiser desafiar Obama em novembro.

 

A vitória de Newt Gingrich na Carolina do Sul converte as próximas primárias em algo "crítico" e "faz da Flórida o epicentro deste processo de investidura", considerou Susan MacManus, professora de ciência política da Universidade do Sul da Flórida.

"Os republicanos sabem bem - e não apenas os republicanos da Flórida -, que, se um candidato não ganhar a Flórida, sem dúvida não ganhará a corrida à Casa Branca", acrescentou.

A vitória de Gingrich sobre Romney reacende as dúvidas sobre a capacidade que o ex-governador de Massachussets - um multimilionário investidor que aparece como o mais moderado dos pré-candidatos republicanos - tem para unir o setor mais conservador de seu partido, onde é visto com receio.

Apesar de sua organização e de seus meios financeiros, Romney foi vítima nos últimos dias de uma forte campanha liderada por Gingrich em debates televisivos e de uma controvérsia sobre sua declaração de impostos, que, finalmente, se comprometeu a publicar, embora apenas em abril.

John Silvers, um sexagenário consultado pela AFP na sede de campanha de Newt Gingrich, em Columbia, capital do estado, explicou que se animou a votar no candidato mais conservador depois de ver como criticou a esquerda e os meios de comunicação na televisão.

"Defendeu-se realmente bem nos debates e precisamos de alguém que se defenda bem debatendo contra Obama", destacou o eleitor.

Agora todos os olhares estão voltados para a Flórida, onde será realizada no dia 31 de janeiro a próxima etapa das primárias, em um partido mais dividido do que nunca.

Até o momento, o pré-candidato ultraconservador Rick Santorum venceu no início de janeiro por estreita margem de vantagem as primárias de Iowa (centro); Mitt Romney conquistou New Hampshire (nordeste) e Newt Gingrich, a Carolina do Sul.

Gingrich, de 68 anos, espera juntar o voto conservador depois de ter obtido na quinta-feira o apoio de Rick Perry, o governador do Texas que abandonou a corrida.

Na quinta-feira também soube se defender em um debate televisionado das perguntas sobre as declarações de sua ex-mulher Marianne, que mencionou em uma entrevista as infidelidades de Gingrich, um tema embaraçoso para o eleitorado evangélico.

Gingrich rejeitou de prontidão as declarações e acusou "os meios de comunicação elitistas que protegem Barack Obama de atacarem os republicanos".

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