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Vitória apertada em eleição regional dá novo ânimo à oposição na Alemanha

por Deutsche Welle publicado 22/01/2013 09h26, última modificação 22/01/2013 09h26
Após ganharem votação na Baixa Saxônia, social-democratas e verdes recuperam esperança na campanha pela chancelaria federal. Com resultado, oposição conquista maioria na câmara alta do Parlamento alemão

Ninguém na Alemanha se recorda de um resultado eleitoral tão apertado como este. Até tarde da noite de domingo 20, ainda não estava claro se a coalizão entre União Democrata Cristã (CDU) e Partido Liberal (FDP) permaneceria no governo da Baixa Saxônia ou seria substituída por uma coligação entre o Partido Social Democrata (SPD) e Partido Verde. A corrida cabeça por cabeça no estado do norte do país foi um prelúdio excitante para o ano de eleição parlamentar, em que a chanceler federal Angela Merkel (CDU) busca seu terceiro mandato.

Pelo resultado final, a CDU obteve 36% dos votos e 54 assentos na assembleia; o SPD, 32,6% dos votos e 49 assentos; o Partido Verde, 13,7% dos votos e 20 assentos; e o FDP, 9,9% dos votos e 14 assentos. Embora tenha conquistado a maioria dos votos, a CDU perdeu pela coalizão. Considerando o número de cadeiras parlamentares, a coligação SPD e Partido Verde obteve 69, enquanto a coligação CDU e FDP ficou com 68.

Para o rival social-democrata de Merkel, Peer Steinbrück, a eleição na Baixa Saxônia proporcionou uma lufada de ânimo em sua meta de substituir a chanceler. Os social-democratas ganharam votos, ainda que modestamente. "Isso significa que uma mudança de governo e de poder é possível este ano, também com vistas às perspectivas para setembro", disse Steinbrück. Ele admitiu que sua série de gafes não ajudou seu partido durante a campanha eleitoral na Baixa Saxônia. Ultimamente, houve especulações sobre uma troca de candidatos a chanceler federal. Agora, os social-democratas serão poupados desse debate desgastante.

A oposição conseguiu, com a tomada do governo da Baixa Saxônia, conquistar também a maioria no Bundesrat, a câmara alta do Parlamento alemão. Nesta maioria, estão incluídos os Estados governados pela coligação entre social-democratas e Verdes e Brandemburgo, onde o SPD governa coligado com o partido A Esquerda.

As esperanças do candidato Steinbrück para as eleições em setembro recaem sobretudo sobre seus possíveis aliados, os verdes, que continuam em boa fase e conseguiram, com cerca de 14% dos votos, seu melhor resultado até hoje na Baixa Saxônia.

A chanceler federal, Angela Merkel, já contava com uma derrota do seu candidato, David McAllister, na Baixa Saxônia. Semanas antes da eleição, muitas pesquisas previram uma vitória segura de SPD e Partido Verde, baseadas sobretudo na fraqueza dos liberais do FDP que, conforme as sondagens, não conseguiria alcançar os 5% necessários para continuar no legislativo local.

Os partidários dos democrata-cristãos tentaram salvar a coalizão de governo com uma estratégia arriscada. Milhares de eleitores da CDU votaram diretamente nos respectivos candidatos do partido em seu primeiro voto, mas deram o chamado segundo voto, dedicado à legenda, aos liberais. Em pesquisas de opinião, 80% dos eleitores do FDP reconheceram que, na verdade, o seu partido preferido é a CDU.

Enquanto o secretário-geral da CDU, Hermann Grohe, justificou esse comportamento como uma legítima divisão de votos, o líder do SPD, Sigmar Gabriel, zombou, afirmando que o FDP só se sustenta "através de transfusão de sangue".

Votos "emprestados"

O FDP conseguiu surpreender com votos "emprestados", obtendo quase 10%. O resultado não foi suficiente para salvar o governo local, mas salvou a cabeça do líder nacional do FDP, Philipp Rösler, atual ministro da Economia, para quem um resultado ruim em seu estado natal poderia custar o cargo. Rösler afirmou que aquele era um "grande dia para os liberais". Mesmo assim, não Rösler e sim o veterano ex-ministro da Economia Rainer Brüderle será o candidato dos liberais para a eleição parlamentar. Muitos acreditam que ele seja o nome mais indicado para liderar o partido na campanha eleitoral.

A CDU perdeu votos com os muitos "segundos votos" dados ao liberais, não conseguindo chegar à marca dos 40%. Aparentemente, o partido esperava ser capaz de compensar essa perda, pelo menos em parte, com a ajuda do sistema eleitoral alemão, que dá assentos adicionais para partidos que elegem muitos candidatos diretos, através dos primeiros votos, algo que não ocorreu. Por isso, é questionável que os eleitores da CDU arrisquem fazer tal divisão tática de votos também na eleição parlamentar nacional, quando os liberais podem novamente estar ameaçados de não conseguir os 5% necessários para continuarem representados no Parlamento.

Piratas têm futuro incerto

O partido A Esquerda, que na última eleição geral, em 2009, comemorou um resultado sensacional, com 12%, manteve na Baixa Saxônia sua atual tendência de queda na preferência do eleitorado. Depois de Renânia do Norte-Vestfália e Schleswig-Holstein, o partido novamente terá que deixar o legislativo de um estado no oeste alemão. A legenda, formada em 2005 por iniciativa de Oskar Lafontaine, unindo forças de esquerda de leste e oeste do país, corre o risco de perder sua posição duramente conquistada nos estados da antiga Alemanha Ocidental. A Esquerda só está representada agora no legislativo de quatro estados ocidentais alemães. No entanto, analistas esperam que o partido consiga permanecer no Parlamento alemão, baseado na força que ainda tem nos estados a leste da federação.

O Partido Pirata, queridinho da mídia e que causou sensação ainda no final do ano passado, teve seu pior resultado até agora em uma eleição estadual e não conseguiu alcançar a marca dos 5% necessários para fazer parte da assembleia estadual. O partido tem provocado manchetes negativas ultimamente, com suas discussões internas. No âmbito nacional, eles estão na marca dos 3%, segundo as últimas sondagens. Seu futuro parece incerto.

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