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Internacional

Tratamento

Vírus modificado ataca apenas células cancerígenas

por Redação Carta Capital — publicado 01/09/2011 13h35, última modificação 01/09/2011 17h20
Testes liderados por universidade canadense revelam resultados positivos em sete pacientes. Neles, o vírus preservou os tecidos saudáveis

Testes clínicos com um vírus geneticamente modificado mostraram resultados positivos e se apresentam como uma promissora alternativa ao tratamento contra o câncer. Aplicado em 23 pacientes com diversos tumores – no pulmão e no fígado, por exemplo – uma linhagem modificada do vírus Vaccinia, chamada, JX-594, combateu exclusivamente as células doentes, preservando os tecidos saudáveis. A administração do vírus foi intravenosa.

Trata-se de uma pesquisa internacional liderada pela Universidade de Otawa, no Canadá, que agrupou cientistas norte-americanos, canadenses sul-coreanos. O surpreendente resultado mereceu uma publicação na revista Nature.

A pesquisa não é conclusiva pelo pequeno número de pacientes envolvidos. As 23 pessoas submetidas ao procedimento, todos em estado de metástase e já sem nenhuma reação a outros tipos de tratamento, foram separadas em cinco grupos de acordo com a dosagem a ser injetada. Dos oito que receberam dosagens maiores, o vírus interrompeu o crescimento dos tumores momentaneamente em seis pacientes. Em sete pessoas o vírus atacou apenas células cancerígenas. Por motivos de segurança, apenas uma dosagem foi aplicada.

Os especialistas demonstram otimismo porque o vírus Vaccinia já é utilizado na imunização contra a varíola. “Eles utilizaram um vírus cuja segurança já foi consagrada”, disse ao jornal O Estado de S. Paulo Enrique Boccardo, do Departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade São Paulo (USP).

O líder dos pesquisadores, John Bell, da Universidade de Otawa, destacou que, apesar de estar em estado inicial, os testes são promissores porque “pela primeira vez uma terapia viral se mostrou consistente e efetiva com o vírus replicando no tecido cancerígeno após aplicação intravenosa em humanos”.

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