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Internacional

Transição de poder

Violentos protestos marcam posse de novo presidente do México

por AFP — publicado 01/12/2012 17h44, última modificação 01/12/2012 17h46
Enrique Peña Nieto assumiu em meio a confrontos da polícia com manifestantes e oposição de parlamentares
méxico

A sessão, prevista para às 9h (14h em Brasília), começou com cerca de 45 minutos de atraso. Foto: Ronaldo Schemidt/APF

MEXICO (AFP) - A posse de Enrique Peña Nieto, do Partido Revolucionário Institucional (PRI), como o novo presidente do México foi marcada por protestos. Parlamentares realizaram manifestações dentro da Câmara dos Deputados e ocorreram confrontos entre a polícia e indivíduos armados nos arredores do local.

"Prometo cumprir e fazer cumprir a Constituição dos Estados Unidos Mexicanos e as leis dela decorrentes, e desempenhar com lealdade e patrioticamente o cargo de Presidente da República", jurou Peña Nieto.

A sessão, prevista para às 9h (14h em Brasília), começou com cerca de 45 minutos de atraso e em meio ao protesto dos legisladores. "Termina um governo ilegítimo e começa o pesadelo da imposição, ilegitimidade, a restauração começa, voltaremos ao passado", afirmou o deputado Ricardo Monreal.

Nas ruas, cerca de 3 mil manifestantes protestaram. Alguns deles tentaram furar o cerco policial. Ao menos 20 pessoas ficaram feridas em confrontos, segundo fontes médicas.

"Nós não esperávamos algo tão violento", comentou à AFP um dos cerca de 200 soldados que cercaram o Palácio Legislativo, onde a Polícia Federal instalou, há vários dias, cercas metálicas de três metros de altura.

Pelo menos cinco soldados ficaram feridos, um deles foi atingido no rosto por uma pedra, dois por um coquetel molotov, e dois outros pelo mesmo gás lacrimogêneo lançado para repelir os manifestantes.

Várias organizações críticas ao novo poder, entre elas o movimento estudantil #YoSoy132, organizaram manifestações na capital e em outras cidades.

Uma delas aconteceu próximo à emblemática estátua do Anjo da Independência, liderada pelo líder da esquerda Andrés Manuel López Obrador, que perdeu as duas últimas eleições e que acusa Peña Nieto de ter comprado milhões de votos para ganhar a eleição presidencial, alegações rejeitadas pelo Tribunal Eleitoral.

Peña Nieto, um advogado de 46 anos que diz representar uma nova geração do Partido Revolucionário Institucional (PRI, que governou o México com mão de ferro de 1929 a 2000), irá, em seguida, para o histórico Palácio Nacional, na Praça Zocalo, onde fará seu primeiro discurso.

A cerimônia foi assistida por Joe Biden, vice-presidente dos Estados Unidos (em nome do presidente Barack Obama) e pelo príncipe Felipe da Espanha.

Também marcaram presença o governador geral do Canadá e os presidentes da Costa Rica, Honduras, Colômbia, Panamá, Nicarágua, Guatemala e Peru, bem como o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza.

Na madrugada, o então presidente Felipe Calderón entregou o comando do país para Peña Nieto, em uma cerimônia simbólica. Em seguida, tomaram posse os novos membros do gabinete da segurança.

"Hoje começo a exercer o honroso cargo de presidente" do México, afirmou Peña Nieto no fim da cerimônia, que durou apenas cinco minutos, durante a qual os dois presidentes apertaram as mãos.

A cerimônia foi assistida por senadores e deputados, reunidos em sessão solene do Congresso, e por membros do Poder Judicial, como exige a Constituição.

Peña Nieto, que havia prometido um gabinete "inclusivo", como forma de desvincular o PRI do seu passado autoritário e hegemônico, nomeou três independentes (Política Social, Segurança Pública e Relações Exteriores), mas reservou as principais secretarias a pessoas próximas.

O México está imerso em uma onda de violência que já causou milhares de mortes e desaparecimentos, como resultado dos conflitos entre cartéis de drogas que disputam as rotas para os Estados Unidos e a guerra que Calderón lançou, em 2006, para combatê-lo.

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