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Violência e boicote marcam as eleições em Bangladesh

por AFP — publicado 05/01/2014 17h30
Mais de 200 colégios eleitorais foram atacados e ao menos 15 pessoas morreram em meio à pleito boicotado por principal partido de oposição
Stringer/AFP
Manifestantes em Bangladesh

Manifestantes em Bangladesh queimam cédulas de votação em colégio eleitoral na cidade de Bogra

Bangladesh foi palco neste domingo 5 de uma onda de violência em meio às eleições legislativas boicotadas pelo principal partido de oposição, que convocou uma nova greve de 48 horas para protestar contra a repressão do governo.

Milhares de opositores à primeira-ministra Sheikh Hasina Wajed incendiaram ou vandalizaram mais de 200 colégios eleitorais, enquanto ao menos 15 pessoas - 22 segundo a oposição - morreram desde a noite de sábado.

"Convocamos uma nova greve para que o governo anule essa farsa eleitoral", declarou à AFP Sayrul Kabir, porta-voz do Partido Nacionalista de Bangladesh (PNB), principal das 21 formações de oposição. "Também protestamos contra a morte de 22 dos nossos militantes, assassinados pela polícia hoje."

Duas vítimas foram espancadas até a morte, enquanto guardavam os colégios eleitorais em distritos do norte do país, uma região considerada reduto da oposição e onde foram registradas a maior parte dos episódios de violência.

"Milhares de manifestantes atacaram os colégios e nossos agentes usando coquetéis molotov", indicou o chefe de polícia de Bogra Syed Abu Sayem.

A maioria das vítimas, que eram ativistas da oposição, foram mortas a tiros pela polícia, enquanto um motorista de caminhão morreu em um ataque contra seu veículo que explodiu. "Fomos obrigados a atirar depois de milhares deles nos atacar com bombas e armas de pequeno porte", disse Mokbul Hossain, chefe de polícia da cidade de Parbatipur.

Na capital, a polícia confirmou pelo menos dois ataques a duas assembleias de voto em Dhaka.

Os colégios eleitorais abriram às 8h (0h em Brasília), com fraco comparecimento às urnas na capital Dhaka. A participação pode ser inferior aos 26% registrados nas fraudulentas eleições de 1996.

A primeira-ministra Sheikh Hasina Wajed espera uma vitória certa, já que o seu partido, a Awami League, e seus aliados, não têm concorrência em 153 dos 300 distritos eleitorais do país.

"O voto é um direito, e exerço o meu direito, mas hoje não podemos comemorar", confidenciou um eleitor, Nurul Islam, depois de depositar seu voto em Mirpur, perto de Dhaka. "Por que falamos de eleições, se há poucas pessoas nas mesas de voto e os dois candidatos são do mesmo partido?", declarou por sua vez o comerciante Miyamat Ullah.

A principal formação de oposição, o Partido Nacionalista de Bangladesh (PNB) convocou uma greve geral em uma tentativa de impedir as eleições deste domingo, qualificadas como uma "farsa escandalosa".

A oposição pede a renúncia do governo e a instauração de uma coalizão neutra e provisória antes da organização de eleições, como aconteceu no passado, mas a premiê se nega a isso.

Para impedir o processo eleitoral, a líder da oposição, Khaleda Zia, organiza desde outubro greves e manifestações que levaram a confrontos, nos quais 150 pessoas morreram.

Zia, líder do PNB e ex-primeira-ministra, pediu na sexta-feira que os eleitores boicotem as eleições e denunciou que se encontra em prisão domiciliar desde dezembro.

A rivalidade entre Hasina e Zia impediu qualquer compromisso entre as duas mulheres, e a opositora foi colocada sob prisão domiciliar no final de dezembro.

Frente a este impasse, os Estados Unidos, a União Europeia e a Comunidade Britânica desistiram de enviar observadores, enfraquecendo a credibilidade da votação. "Estas eleições são cruciais para assegurar a continuidade constitucional", reiterou à AFP o ministro adjunto da Justiça Quamrul Islam.

Bangladesh viveu em 2013 o ano mais violento desde a sua independência do Paquistão em 1971. De acordo com uma ONG, 500 pessoas morreram em meio à violência no ano passado.

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