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Venezuelanos votam em massa para escolher seu novo presidente

por AFP — publicado 14/04/2013 19h54, última modificação 14/04/2013 19h54
Onze milhões e meio de eleitores, dos quase 19 milhões, haviam votado, faltando quatro horas para o fechamento dos colégios

Os venezuelanos foram às urnas em massa para escolher o sucessor de Hugo Chávez, morto há 40 dias.

"Vamos quebrar recordes de participação", comemorou o presidente interino Nicolás Maduro. O candidato chavista é favorito nas pesquisas. Ele votou em um colégio eleitoral no bairro de Catia, onde chegou ao lado de sua esposa, Cilia Flores.

Onze milhões e meio de eleitores, dos quase 19 milhões, já haviam votado, faltando quatro horas para o fechamento dos colégios, indicou Maduro, que também esteve acompanhado das duas filhas mais velhas de Hugo Chávez e o marido de uma delas, o vice-presidente Jorge Arreaza.

Maduro indicou que esperaria a apuração dos votos no "Quartel da Montanha", o museu onde repousam os restos mortais de Chávez. Ele se mostrou confiante da vitória. "Serei o presidente da República pelos próximos seis anos em nome de meu comandante Hugo Chávez".

Henrique Capriles, o candidato opositor, votou no bairro de Las Mercedes em Caracas. "Pedi a nosso povo que o voto fosse em partes e assim tem sido (...) Agora espero uma avalanche, todos a votar", pediu Capriles, vestido com uma camisa da Seleção de futebol venezuelana.

O candidato também instou os opositores a denunciar qualquer "atropelo" que se detecte e assegurou que "os abusos" serão derrotados com votos, em alusão as supostas irregularidades cometidas pelos oficialistas, como boca de urna.

A presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Tibisay Lucena, afirmou que "a única novidade é que não há novidade", indicando que a votação tem acontecido dentro da normalidade.

Ana Guerrero, uma cabeleireira de 56 anos, explicou à AFP que sua mãe passou por uma cirurgia no joelho e na coluna com a ajuda do governo de Chávez.

"Hoje está em jogo o destino de nosso país e temos que seguir o nosso líder, fazer o que ele nos pediu", votar em Maduro. "O 'majunche' é um homem rico que quer nos explorar", disse, usando o termo com o qual Chávez se referia a Capriles, e que significa medíocre.

"Eu vim para votar pensamento no país, para alcançar uma mudança radical, completa. Na Venezuela já não suportamos a fome, a insegurança, a falta de provisões. Não há nada, nenhum investimento. Se Maduro vencer, vamos continuar com tudo isso", declarou por sua vez Orlando Lasso, um empresário de 54 anos no reduto da oposição de Chacao.

As eleições foram marcadas pelo luto dos chavistas e o culto ao presidente falecido e convertido quase numa figura religiosa.

Nicolás Maduro busca o voto baseado em duas armas poderosas: o fato de que Chávez fez dele seu herdeiro político e por dispor da máquina chavista, com uma forte capacidade de mobilização eleitoral.

"Sua campanha foi centrada na mensagem de que ele é o 'filho' do comandante, isso é simbolicamente muito importante, mas também há a mobilização de todos os recursos para garantir o voto, como o uso de ônibus do Estado", afirmou o sociólogo Ignacio Avalos.

Maduro, colaborador fiel de Chávez desde o início da revolução bolivariana, promete continuar com o legado de seu mentor em prol dos mais desfavorecidos e manter seus populares programas sociais custeados pelas rendas petroleiras, apesar dos sintomas de esgotamento desse sistema, o que faz os analistas dispararem os alertas.

Frente ao herdeiro do homem forte que governou a Venezuela desde 1999, Capriles faz sua segunda tentativa presidencial em seis meses.

Governador do estado de Miranda (norte) de 40 anos, ele perdeu em outubro passado contra Chávez por 11 pontos, apesar de obter o melhor resultado da oposição contra o presidente carismático, surpreendendo os observadores por conseguir mobilizar em massa seus seguidores e apenas dez dias de campanha.

Capriles aceitou lançar-se de novo à disputa, apesar de seus colaboradores alertarem que ele estava indo 'para o matadouro' - como ele próprio disse - e esse gesto de "valentia política", além de um discurso mais duro e direto buscando desligar Maduro de Chávez, funcionaram bem, segundo Avalos.

A publicação de pesquisas de intenção de voto estão proibidas esta semana na Venezuela, mas as últimas enquetes apontam uma redução considerável da diferença entre Capriles e Maduro, que chegou a ter 20 pontos de vantagem no momento de maior comoção pela morte de Chávez.

Os dois candidatos mantiveram um discurso mais agressivo e esse tom mais elevado evidencia a divisão social que reina no país, alimentada nos últimos anos pelo discurso polarizador de Chávez, que traçou uma linha divisória entre ricos e pobres e decidiu que quem não estava com ele, estava contra ele.

O tom agressivo da campanha eleitoral evidenciou a divisão social que reina no país, alimentada durante os últimos anos pelo discurso polarizador de Chávez, que traçou uma linha divisória entre ricos e pobres e decidiu que quem não estava com ele, estava contra ele.

Além da reconciliação nacional, o próximo presidente, que governará até 2019, enfrentará o desafio de uma economia totalmente dependente da renda petroleira e atingida pelo déficit público, a inflação, queda violenta da produção, a escassez generalizada e a seca de divisas, fora a insegurança que reina no país, com 16.000 homicídios em 2012, a maior taxa da América do Sul.

Os resultados eleitorais serão anunciados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) na noite de domingo, provavelmente umas três horas depois do fechamento da seções às 19H30 (horário de Brasília).

São quase 19 milhões de eleitores em uma população de 28,9 milhões e mais de 140.000 militares velam pela segurança da votação.

Cerca de 170 organizações internacionais se encontram no país para acompanhar o processo eleitoral, entre elas o Centro Carter.

 

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