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Um país em choque

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 24/03/2011 16h43, última modificação 25/03/2011 12h11
Consequências do desastre natural e da imprevidência humana se farão sentir por muitos anos

Consequências do desastre natural e da imprevidência humana se farão sentir por muitos anos

Duas semanas depois, começa a ficar mais clara a verdadeira dimensão da catástrofe que continua a abalar o Japão e o mundo, embora não chegue a justificar o terror apocalíptico que a mídia mais sensacionalista procura alimentar e explorar. Foi sugerido, inclusive em programas de televisão de grande audiência, que um desastre como o de Fukushima pode repetir Chernobyl, que produziu centenas de vezes mais radiação que a bomba atômica de Hiroshima. É preciso esclarecer: isso é tecnicamente verdade, mas não significa que o acidente na usina ucraniana tenha sido pior que uma arma nuclear.

Chernobyl espalhou (segundo estimativas da AIEA) cerca de 400 vezes mais radiação que o Little Boy de 1945. Mas, pelo mesmo critério, a radiação absorvida por toda a população da Europa de fontes naturais é equivalente a seis Chernobyls por ano. Evidentemente, isso não significa que o continente sofra o equivalente a um bombardeio anual por mais de 2 mil bombas atômicas. Essa radioatividade natural é aceita como inofensiva, por ser difusa e permanente. A radiação de Chernobyl foi e é mais perigosa, por ser mais concentrada no tempo e no espaço, mas ainda assim não se compara com a concentração muitíssimo maior de uma bomba.

Nos primeiros dias de uma explosão nuclear, a radiação é centenas de vezes mais intensa que a de um acidente numa usina, para depois declinar para níveis comparáveis ou mais baixos. Dos 350 mil habitantes de Hiroshima, cerca de 160 mil morreram da explosão de 6 de agosto até o fim do ano de 1945 – 70 mil imediatamente, 60 mil de queimaduras e traumas e 30 mil de puro envenenamento radioativo – e mais 40 mil nos cinco anos seguintes. Estima-se que, além disso, mil morreram de câncer a longo prazo.

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 639, já nas bancas.

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