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Rupert Murdoch

O cidadão Kane fica acuado

por Redação Carta Capital — publicado 14/07/2011 11h35, última modificação 17/07/2011 11h21
Outro ex-funcionário do News of the World é preso, e polícia diz até que primo de Jean Charles tenha sido grampeado. Situação leva Rupert Murdoch a congelar investimento. Foto: Adrian Dennis/ AFP
Um cidadão Kane acuado

Outro ex-funcionário do News of the World é preso, e polícia diz até que primo de Jean Charles tenha sido grampeado. Situação leva Rupert Murdoch a congelar investimento. Foto: Adrian Dennis/ AFP

A cada dia, mais complicada se torna a situação do magnata das comunicações Rupert Murdoch. Nesta quinta-feira 14, foi preso o ex-editor executivo Neil Wallis, do News of the World, jornal londrino envolvido em um escândalo de escutas telefônicas ilegais e pagamento de subornos a policiais em troca de informações. Ele é a nona pessoa ligada ao jornal detida no caso.

O Guardian informou em sua versão online que Wallis foi levado para prestar depoimento em uma delegacia de Londres. Antes de chegar ao cargo de editor-executivo em 2007, Wallis foi editor adjunto do tabloide desde 2003. Ele deixou o cargo em 2009 e hoje é consultor na empresa de relações públicas Outside Organisation.

Durante anos, Wallis foi subordinado ao então diretor Andy Coulson, que foi chefe de imprensa do atual primeiro ministro do Reino Unido David Cameron. Coulson foi detido na última sexta-feira 8 por supostamente ter incentivado os jornalistas do News of the World a realizar grampos telefônicos e ter ainda autorizado o pagamento de valores a policiais em troca de informações. Ele foi liberado sob fiança.

Em 2003, Coulson assumiu a direção do jornal, no mesmo ano em que tiveram início as escutas. Em janeiro de 2007 ele deixou o cargo após o jornalista do News of the World Clive Goodman ter sido preso por admitir ter realizado escutas em telefones de membros da família real britânica.

O News of the World circulou pela última vez no domingo 10 e a decisão de fechá-lo partiu de Murdoch, dono do conglomerado News Corporation. O encerramento das atividades foi consequência do desgates causado pelo escândalo dos grampos. O próprio Murdoch, informa o jornal El País, foi convocado a depor na Comissão de Cultura do Parlamento do país, que investiga as escutas ilegais.

Também foram chamados a depor o filho do magnata e presidente da filial britânica da News Corporation, James Murdoch, e a diretora-executiva do grupo Rebekah Brooks. Até o momento apenas Brooks confirmou que se apresentará à Câmara dos Comuns. Em duas cartas, Rupert e James Murdoch, que não são cidadãos britânicos, disseram que não estão disponíveis na data estipulada pela casa. O magnata disse ainda que está “totalmente preparado para apresentar evidências no processo judicial que será iniciado num futuro próximo”.

Jean Charles de Menezes

A Scotland Yard divulgou, nesta quinta-feira 14, que Alex Pereira, um dos primos do brasileiro Jean Charles de Menezes, confundido com um terrorista e morto brutalmente pela polícia britânica num metrô de Londres em 2005, teve seu telefone interceptado pelo tabloide.

O caso do primo de Jean Charles de Menezes junta-se as escutas realizadas em números telefônicos de celebridades, familiares de vítimas dos atentados de 7 de julho de 2005, políticos, membros da família real e de familiares de soldados britânicos mortos no Afeganistão e no Iraque, num total de mais de quatro mil pessoas grampeadas.

As consequências do escândalo também refletiram nos planos de expansão do conglomerado de Murdoch. Ele desistiu de comprar a totalidade das ações do canal BSkyB, da qual já detinha 39%.

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