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Ucrânia

UE questiona prisão de Timoshenko

por Gianni Carta publicado 11/10/2011 18h46, última modificação 12/10/2011 11h13
Condenada a sete anos de prisão, ex-premier apelará contra processo que ela diz ter motivações políticas. Mas ela teria embolsado altas somas em contrato com a Rússia

A Ucrânia é um daqueles ex-países soviéticos nos quais “democracia” é, ainda, um termo no mínimo nebuloso. Desse quadro hermético fazem parte, por tabela, seus governantes, tribunais e mídia.

Por essas e outras, a União Europeia viu com ceticismo a condenação da ex-premier Yulia Timoshenko a sete anos de cadeia. Timoshenko, de 50 anos e presa desde 5 de agosto, foi condenada por um tribunal de Kiev por abuso de poder na assinatura de um contrato de importação de gás russo em 2009, anunciou, nesta terça-feira 11, o juíz de um tribunal em Kiev.

A ex-premier terá, ainda, de pagar uma multa de 200 milhões de dólares por danos, segundo o juíz Rodion Kireev.

Olhos fixos no seu IPad durante a sentença, a bela Timoshenko, sempre com sua tiara natural formada por espessos cabelos loiros a adornar sua cabeça, disse que vai apelar. Segundo a ex-premier, principal adversária do atual presidente Viktor Yanukovich, o processo tem motivações exclusivamente políticas.

Yanukovich nega ter qualquer elo com o tribunal. Timoshenko e Yanukovich tiveram o primeiro embate em 2004, quando a então líder da Revolução Laranja denunciou as ilegalidades relativas à eleição presidencial vencida por Yanukovich. A mídia russa e o então presidente Vladimir Putin apoiaram Yanukovich. O pleito, de qualquer forma, foi anulado.

Em 2005, na presidencial contra Yanukovich, Viktor Yushenko e Timoshenko chegaram ao poder, nos cargos de presidente e premier. No entanto, Yanukovich venceu Timoshenko na presidencial de 2010.

Após sua condenação a sete anos atrás das grades, Timoshenko, adotando uma linha pró-europeia, declarou: “Vamos lutar para defender nossa reputação ante as instâncias europeias”.

De fato, as autoridades europeias parecem céticas em relação ao veredicto do tribunal de Kiev. Catherine Ashton, chefe da política exterior da UE, disse: “Não estamos otimistas sobre esse processo, e fica a impressão de que se trate de uma aplicação muito seletiva da justiça”. Ainda segundo Lady Ashton, “o processo contra Timoshenko não respeitou normas internacionais”. Líderes europeus sugerem que Timoshenko seja julgada por ofensas administrativas, não criminosas.

Há quem diga, porém, que Timoshenko ganhou altas somas com a assinatura do contrato de importação de gás russo. Ela seria uma das pessoas mais endinheiradas da Ucrânia. Isso, claro, não significa que Yanukovich não esteja por trás do processo para se livrar de uma rival perigosa. Em miúdos, o tablado político ucraniano permanece nebuloso.

Com informações da AFP

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