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Crise Europeia

Mais crescimento, menos austeridade

por Gianni Carta publicado 18/06/2012 14h49, última modificação 06/06/2015 17h37
Hollande propõe nova saída para a UE. Mas futuro do presidente francês com a chanceler Merkel é tenso
O presidente francês, François Hollande. Foto: AFP

Além de promover o diálogo entre a polícia, árabes e negros, Hollande terá de incluir todos na sua promoção de crescimento econômico Foto: AFP

François Hollande, o primeiro presidente socialista da França a ser eleito em 17 anos, em 6 de maio, é o homem da hora. E no domingo 17 angariou a maioria absoluta no segundo turno das legislativas. E de forma esmagadora.

Com entre 308 e 320 assentos na Assembleia Nacional, Hollande, de 57 anos, obteve um número acima dos 289 votos necessários para seu Partido Socialista governar sozinho na Câmara de Deputados de 577 cadeiras.

Hollande poderá, assim, dispensar o apoio dos Verdes (20 assentos) e da Frente de Esquerda (entre 9 e 11 cadeiras). Esta última coalizão, composta de partidos de extrema-esquerda e comunistas, defende posições diferentes de Hollande em relação à economia e à Europa. Teria, sublinhe-se, sido difícil lidar com essa turma (um de seus líderes, aliás, deu uma bronca quando este repórter chamou os radicais de extremistas; um dia faremos um tratado para distinguir radicais de extremistas).

De qualquer forma, Hollande venceu também porque foi o primeiro político da União Europeia (UE) a propor algo de diferente: o “Pacto pelo crescimento da Europa”.

Até então, aqui no Velho Continente falava-se somente em rigor fiscal para combater a crise econômica europeia. Hollande jogou luz no final do túnel. Disse que havia outras maneiras, além da política econômica de austeridade, para se lidar com a crise europeia.

O recém-eleito presidente francês colocou um feliz fim na política “Merkozy”, nome dado àquela bizarra dupla formada pela chanceler alemã Angela Merkel e Nicolas Sarkozy, o ex-presidente derrotado por Hollande. Merkel, líder da maior potência europeia, ainda mais que Sarko, significa austeridade, a única forma que lhe parece possível para tirar a UE do marasmo econômico.

No entanto, o grande teste de Hollande acontecerá no vértice da UE, nos dias 28 e 29 de junho, em Bruxelas. Na quinta-feira 14, Hollande já distribuiu seu texto sobre o “Pacto de Crescimento da Europa” entre os líderes da UE.

Hollande propõe 120 bilhões de euros para relançar a economia europeia. A soma, diga-se, corresponde a apenas 1% do Produto Interno Bruto (PIB) da União Europeia.

O dinheiro viria de três fontes: 55 bilhões de euros de fundos estruturais da UE; 60 bilhões de euros do Banco europeu de investimentos; 4,5 bilhões de euros de “project eurobonds” (empréstimos comuns para empresas privadas que iniciam novas empreitadas).

Entre outros projetos, Hollande visa criar uma taxa para transações financeiras e medidas para criar empregos, em particular para os jovens.

Do “Pacto de Crescimento da Europa” do presidente francês constam, ainda, novas tecnologias para acoplar a internet com serviços de eletricidade e água para fazer economias. Hollande prevê nas 11 páginas do texto energias renováveis, investimentos em nanotecnologia e em novos materiais. Por exemplo, novos materiais poderiam ser utilizados para aquecer prédios.

A relação entre Merkel e Hollande é, no entanto, tensa.

Consta, segundo o semanário francês Journal du Dimanche, que a chanceler acha algumas das ideias de seu homólogo francês “medíocres”. A Alemanha, ademais, é favorável ao velho método das privatizações. E, claro, Merkel volta a martelar sobre a flexibilidade do mercado de trabalho.

Outra contenda: Hollande quer uma política europeia em sintonia com o Banco Central Europeu. Merkel, em contrapartida, pretende preservar a independência do BCE.

Até outubro, sugere Hollande, o presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, deveria se pronunciar sobre a proposta francesa.

Hollande poderia ser uma supresa para a UE.

Com informações da AFP.

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