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The Observer

UE envia assessores para ajudar Ucrânia a impor a lei em áreas rebeldes

por The Observer — publicado 27/07/2014 09h38, última modificação 31/07/2014 09h40
O Kremlin acusa Bruxelas de acreditar em "contos de fadas", enquanto mais russos enfrentam a proibição de viagens e o congelamento de ativos

Por Daniel Boffey e Alec Luhn, em Moscou

A União Europeia enviou uma equipe de assessores de segurança para Kiev para ajudar o governo da Ucrânia a impor o regime da lei em distritos rebeldes, em uma medida provocativa que provavelmente inflamará ainda mais as relações com Moscou.

A chefe de Política Exterior da UE, Catherine Ashton, concordou na semana retrasada com os pedidos das autoridades ucranianas de ajuda urgente para reforçar os serviços de segurança no país. Uma verba inicial de 2 milhões de libras está sendo fornecida pela UE para financiar os assessores não militares, mas uma quantia maior deverá ser dedicada, pois continua o conflito entre o governo e os dissidentes pró-Rússia depois da derrubada do voo MH17 da Malaysian Airlines.

A decisão provavelmente provocará uma reação firme do Kremlin, que no sábado 26 acusou a UE de ajudar os terroristas por meio de sua recente ampliação das sanções.

Uma declaração do Ministério das Relações Exteriores russo condenou as sanções impostas na sexta-feira (25) contra 15 pessoas, incluindo um ex-primeiro-ministro russo, um ex-presidente do Parlamento, autoridades graduadas da inteligência e líderes da revolta pró-Rússia no leste da Ucrânia. O ministério acusou a UE de "afastar-se totalmente do trabalho conjunto com a Rússia sobre segurança internacional e regional, incluindo o combate à disseminação de armas de destruição em massa, ao terrorismo e ao crime organizado".

A declaração continua: "Temos certeza de que as decisões serão recebidas com entusiasmo pelos terroristas internacionais. O que eles não conseguiram fazer em décadas – cravar uma cunha na comunidade internacional – fizeram com facilidade em Bruxelas.

"Ao mesmo tempo, a UE se aliou de uma vez com Washington e aos contos de fadas de Kiev sobre os atuais acontecimentos na Ucrânia, privando-se de uma fonte alternativa e objetiva de informação. As capitais dos países europeus compreendem aonde esses passos irresponsáveis poderão levar, seja na esfera política ou econômica?"

Entre os novos alvos da proibição de viagens e do congelamento de ativos em toda a UE estão Alexander Bortnikov, chefe do Serviço de Segurança Federal da Rússia, e Sergei Beseda, chefe do departamento FSB, que supervisiona as operações internacionais e a atividade de inteligência.

Quatro membros do conselho de segurança da Rússia e 18 organizações ou empresas, incluindo formações rebeldes no leste da Ucrânia, foram acrescentados à lista de sanções do bloco comercial ao mesmo tempo.

A ação elevou para 87 o número total de pessoas sancionadas pela UE desde a anexação da Crimeia pela Rússia e a revolta no leste da Ucrânia. Duas empresas de energia da Crimeia já haviam tido seus ativos na UE congelados.

Mais cedo na sexta-feira, embaixadores europeus chegaram a um acordo preliminar sobre novas sanções contra a Rússia, visando seu acesso aos mercados de capital europeus e ao comércio no setor de defesa, produtos de dupla utilidade e tecnologias sensíveis. É provável que essas propostas recebam o acordo dos países membros da UE nesta semana.

A decisão da UE de ajudar a Ucrânia a restabelecer a lei e a ordem em suas regiões inevitavelmente atiçará a raiva de Moscou contra o que considera interferência do Ocidente nos assuntos da Ucrânia oriental.

Em uma declaração discretamente divulgada por Bruxelas, Ashton disse que os assessores de segurança da UE não são militares e vão desarmados. "As autoridades ucranianas embarcaram no caminho crítico da reforma do setor de segurança civil e requisitaram o apoio da União Europeia", disse ela. "A UE está utilizando esta missão para ajudar a Ucrânia nessa reforma, que inclui a polícia e o Estado de direito."

Robert Shiegel, um deputado do partido governante Rússia Unida que já foi comissário federal do extinto movimento jovem Nashi, pró-Putin, disse que a Ucrânia precisa de um governo independente da UE para promover o crescimento econômico. Ele disse ao Observer: "Nada vai mudar, mesmo que haja uma polícia europeia em Kiev. O que acontecerá agora? Vão construir apartamentos? O clima de investimentos vai melhorar? A guerra vai terminar?"

No sábado, forças ucranianas avançavam para os arredores de uma cidade chave à procura de separatistas pró-Rússia em um de seus principais enclaves perto de onde caiu o MH17.

O porta-voz da segurança nacional Andriy Lysenko disse que forças ucranianas estavam perto de Horlikva, ao norte de Donetsk.

O primeiro-ministro da Malásia, Najib Razak, viajará para a Holanda na quarta-feira para discutir a derrubada do jato da Malaysian Airlines com seu homólogo holandês. Najib disse em um comunicado que ele e o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, pretendem garantir o pleno acesso ao local da queda e que patologistas da Malásia possam ajudar a "acelerar o processo de identificar os despojos humanos".

Havia 193 holandeses e 43 malaios no voo MH17 quando ele foi derrubado no leste da Ucrânia em 17 de julho, na rota entre Amsterdã e Kuala Lumpur. As 298 pessoas a bordo morreram.

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