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União Europeia

UE cogita limitar salários de executivos, seguindo exemplo da Suíça

por Deutsche Welle publicado 05/03/2013 11h08, última modificação 05/03/2013 11h10
Suíços aprovaram em referendo popular iniciativa que passa aos acionistas a competência de definir os ganhos dos diretores de empresas. Oposição britânica pode dificultar aplicação da medida no bloco europeu

A Comissão Europeia anunciou na segunda-feira 4 a intenção de seguir o exemplo da Suíça, que aprovou em referendo popular,  no último domingo, o estabelecimento de limites para os salários de altos executivos.

O anúncio foi feito por Stephan De Rynck, porta-voz do comissário europeu de Mercados Financeiros, Michel Barnier. O objetivo é que uma proposta sobre o assunto seja apresentada até o fim do ano, explicou.

"O referendo foi muito positivo, e mostra que há espaço para assegurar transparência em nível europeu", disse De Rynck. "Nós vamos na mesma direção, e nossa proposta vai se basear também numa decisão vinculativa [por parte dos acionistas], assim como ficou definido ontem na Suíça."

No domingo, a população suíça decidiu, por 67,9% dos votos, que a função de limitar os salários e bônus saia das mãos dos próprios executivos e passe aos acionistas. O referendo foi considerado histórico por seu conteúdo e por sua abrangência: todos os 16 cantões suíços, sem exceção, apoiaram a entrada em vigor da nova lei.

Inédito na Europa, o projeto leva o nome de Iniciativa Minder, em referência a seu idealizador e principal promotor, o senador Thomas Minder. A campanha em prol da mudança lhe rendeu o apelido de "Robin Hood dos acionistas" e ganhou força após o escândalo, nas últimas semanas, envolvendo o presidente da farmacêutica Novartis, Daniel Vasella.

A empresa gerou polêmica ao anunciar que Vasella receberia mais de 58 milhões de euros após deixar o cargo. O executivo acabou abrindo mão do dinheiro, mas o debate subsequente culminou na aprovação da lei.

Bônus também na mira
A Suíça se orgulha de seu ambiente de negócios favorável, com baixos impostos. Entretanto, nos últimos anos, uma série de escândalos e ajudas financeiras a bancos suscitaram críticas a seu sistema. A ministra da Justiça Simonetta Sommaruga qualificou o referendo de domingo como "a expressão do grande desconforto da população suíça com o nível dos salários pagos aos executivos".

O primeiro-ministro francês, Jean-Marc Ayrault, aplaudiu a iniciativa, dizendo que seu país deveria tomar a Suíça como exemplo. “É uma excelente iniciativa democrática e, pessoalmente, acredito que deveríamos nos inspirar neles”, comentou.

A Alemanha também elogiou a iniciativa, mas optou por um discurso mais cauteloso. "O referendo produziu um resultado interessante, que precisa ser olhado de perto", disse Steffen Seibert, porta-voz do governo alemão.

Dono de um dos maiores mercados financeiros do mundo, o Reino Unido se opõe à intenção da UE de seguir o exemplo da Suíça, o que deve complicar os planos do bloco de adotar a medida. Na última semana, o Parlamento Europeu e a presidência temporária da UE, exercida pela Irlanda, haviam chegado a um acordo preliminar sobre a restrição dos bônus para executivos. Contudo, a proposta não deverá ser votada antes de abril.

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