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Síria

Governo diz que 89,4% dos eleitores apoiam reforma na Constituição

por Redação Carta Capital — publicado 27/02/2012 12h53, última modificação 27/02/2012 15h25
Cerca de 8,3 milhões de pessoas foram às urnas no domingo para aprovar as alterações na Constituição e apenas 1,6% dos eleitores anularam o voto
Síria

Garoto passa por soldados sírios na cidade de Harasta, a 9 km ao norte de Damasco. Foto de 15 de fevereiro de 2012. Foto: ©AFP / Louai Beshara

Cerca de 89,4%, dos 14 milhões de eleitores do país, votaram no domingo 26 a favor do referendo que propõe as alterações na Constituição, de acordo com o ministro do Interior da Síria, Mohammad Chaar.

Segundo ele, cerca de 8,3 milhões de pessoas foram às urnas e apenas 1,6% dos eleitores anulou os votos. As votações ocorrem no momento em que o governo do presidente sírio, Bashar Al Assad, está prestes a completar um ano em que é alvo de manifestações e protestos.

A polêmica proposta de reforma da Constituição prevê que o presidente da República pode exercer até dois mandatos de sete anos cada e mantém o direito de escolher o primeiro-ministro. Para a oposição, o texto atual dá mais poder a Assad e deve sofrer mudanças pouco significativas.

Retaliações
A União Europeia (UE) aprovou novas sanções contra a Síria nesta segunda-feira 27, com o objetivo de debilitar o regime de Bashar al-Assad, ante a sangrenta repressão executada contra a oposição no país.

As sanções pretendem, sobretudo, congelar os depósitos do Banco Central sírio e a maioria das transações com esta instituição, além de proibir a importação de ouro e outros metais preciosos para a União Europeia.

A medida veta também os voos de carga vindos da Síria, mas permite voos de passageiros para possibilitar o regresso de cidadãos europeus a seus países. Além disso, inclui mais sete indivíduos na lista de sírios com visto negado na UE. Os nomes já chegam a 150.

No entanto, os europeus não puderam impor a proibição da compra de fosfatos, uma das principais fontes de riqueza da Síria, ante a imposição da Grécia, um dos principais compradores, disse uma fonte diplomática.

Homs, a "capital da revolução", se tornou o símbolo da repressão das forças de segurança, que bombardeiam a cidade desde 4 de fevereiro, com um balanço de centenas de mortos. Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), mais de 7,6 mil pessoas, a maioria civis, morreram desde o início da revolta em março de 2011.

A Europa reiterou em várias ocasiões o pedido de fim da violência no país e de renúncia de Assad, ao mesmo tempo em que estimulou a resolução de condenação da Síria na Assembleia Geral da ONU, texto vetado por Rússia e China.

A chefe da diplomacia da UE, Catherine Ashton, insistiu que, ante a brutal repressão que toma conta da Síria, "é um ponto-chave" fazer chegar a ajuda humanitária ao país.

As sanções foram aprovadas um dia depois do referendo em que os sírios votavam por uma nova Constituição. Mas, enquanto os sírios votavam, o regime aumentava sua sangrenta repressão das revoltas em diversas cidades, deixando mais de 50 mortos.

"O referendo de ontem não enganou ninguém", disse o ministro britânico William Hague ao chegar à reunião de Bruxelas. "Convocar um plebiscito e ao mesmo tempo abrir fogo contra os manifestantes é algo que tira a credibilidade aos olhos do mundo", acrescentou.

A secretária de Estado americana Hillary Clinton insistiu na sexta-feira 24, na Tunísia, que a comunidade internacional pressione a Rússia e a China a condenar a violência do regime de Assad contra os civis.

"Não podemos aceitar isso (...) o mundo exterior não deve impor" seu plano de solução da crise do povo sírio, afirmou o porta-voz do ministério chinês de Relações Exteriores, Hong Lei, nesta segunda-feira 27.

Armas para a oposição
O primeiro-ministro do Qatar, Hamed bin Khasem al-Thani, se manifestou nesta segunda-feira a favor de entregar armas à oposição síria que combate o regime do presidente Bashar al-Assad.

"Deveríamos fazer todo o necessário para ajudá-los (os opositores), incluindo entregar a eles armas para que possam se defender", declarou, em visita oficial à Noruega.

"Este levante já tem um ano. Durante dez meses foi pacífico: ninguém carregava armas, ninguém fazia nada (violento). E Bashar prosseguiu matando", acrescentou em uma coletiva de imprensa.

"Considerou, portanto, que tem razão de se defender com armas e penso que deveria ajudar estas pessoas com todos os meios necessários."

*Com informações da AFP e da agência estatal de notícias da China, Xinhua

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