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Turquia volta a responder à disparo sírio e ONU teme escalada do conflito

por AFP — publicado 08/10/2012 17h12, última modificação 08/10/2012 17h52
A Turquia voltou a bombadear a Síria como retaliação enquanto Damasco denunciou Ancara por ter proposto um período de transição dirigido pelo atual vice-presidente sírio
soldado

Soldado turco patrulha a cidade de Akçakale, na fronteira com a Síria, em 7 de outubro. Foto: ©AFP / Str

DAMASCO (AFP) - Em resposta a um novo disparo sírio contra seu território, a Turquia atacou posições das forças do regime do presidente Bashar al-Assad, enquanto a ONU teme uma escalada da violência entre os dois países. Ao mesmo tempo, Damasco denunciou Ancara por ter proposto um período de transição dirigido pelo atual vice-presidente sírio Farouk al-Chareh, que substituiria Assad.

A Turquia respondeu nesta segunda-feira 8 a um disparo sírio que atingiu o território turco por volta das 15 horas (9 horas no horário de Brasília) no distrito de Altinozu, na província de Hatay (sudeste da Turquia)", declarou um oficial turco.

Desde o bombardeio da aldeia turca de Akçakale, na última quarta-feira, que matou cinco civis turcos, Ancara responde imediatamente aos disparos sírios.

No terreno, as tropas sírias bombardearam nesta segunda-feira 8 redutos rebeldes em Aleppo (norte) e na cidade de Karak al-Sharqi, na província de Deraa, cercada há três dias pelas forças do regime, informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Na França, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, advertiu que "a escalada do conflito na fronteira entre Síria e Turquia e o impacto da crise no Líbano são extremamente perigosos". Ban Ki-moon também pediu aos colaboradores "mais generosidade" para ajudar a Síria, mergulhada em uma guerra civil há 18 meses.

"Com a aproximação do inverno, precisamos que os doadores respondam de maneira mais generosa às necessidades da população na Síria e às de mais de 300 mil refugiados nos países vizinhos", acrescentou o chefe da ONU.

Guerra Civil

Em uma ofensiva lançada pelo Exército na região de Deraa (sul), vinte pessoas morreram em Karak al-Sharqi, segundo o OSDH. Ao menos cinco rebeldes estão entre as vítimas de Karak.

Em Damasco, as forças do regime realizam uma "campanha de destruição de casas" nos bairros de Qaboun e Barzé, acompanhadas por um movimento de êxodo da população, de acordo com o OSDH, que se baseia em uma ampla rede de ativistas e médicos.

Perto da capital, bombardeios tiveram como alvo Douma, que indicou a descoberta dos corpos de cinco membros de uma mesma família na cidade de Qoudsaya, a noroeste da capital.

"A situação na Síria tem piorado de maneira dramática e representa riscos sérios para a estabilidade dos vizinhos da Síria e para toda a região", declarou Ban.

Em Aleppo, os confrontos continuam entre o Exército e os rebeldes em vários bairros, acompanhados de bombardeios.

Abdallah, que colocou sua mulher e seus cinco filhos em um abrigo em um local mais seguro, retornou três dias depois para ver o estado de sua casa. "Eu parti porque tinha medo. Voltei esta manhã, mas a situação é muito ruim. A eletricidade voltou depois de oito horas cortada, as farmácias estão fechadas e falta tudo".

Nesta grande metrópole do norte, 13 pessoas, incluindo seis civis, foram mortas nesta segunda-feira.

Nesta segunda-feira, o Exército sírio lançou uma ofensiva sem precedentes para esmagar o reduto rebelde de Homs e tomar a cidade insurgente de Qousseir, no centro da Síria, indicaram à AFP fontes envolvidas no conflito.

"O Exército tenta limpar os últimos bairros rebeldes de Homs", afirmou à AFP uma fonte dos serviços de segurança sírios. Pulmão industrial da Síria, Homs foi batizada pelos opositores "capital da revolução" por ter sido a vanguarda da onda de contestação contra o regime de Bashar al-Assad.

"O Exército também limpou as aldeias em torno de Qousseir e tenta agora tomar a cidade", acrescentou esta fonte.

As duas localidades ficam a uma distância de cerca de 30 km uma da outra.

A província de Homs é a maior e mais estratégica do país. Localizada na fronteira com o Líbano e o Iraque, situada não muito distante de Damasco, ela liga o norte ao sul da Síria. Pelo fato de ficar próxima ao Líbano, no início da revolução ela foi um ponto de passagem para o fornecimento de armas e para a retirada de feridos.

O número de mortes nesta segunda-feira atingiu 65 em todo o país, de acordo com um balanço preliminar. Em Damasco, o ministro da Informação, al-Omran Zohbi, denunciou a proposta turca sobre a transição na Síria.

"O que (o ministro truco das Relações Exteriores Ahmt) Davutoglu disse reflete um embaraço e um mal-estar político e diplomático flagrantes", considerou.

"Nós não estamos mais no tempo do Império Otomano. Eu recomendo que o Governo turco abra mão do (poder) em favor de personalidades aceitáveis para o povo turco", disse o ministro da Síria.

No plano diplomático, o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, voou para Moscou para abordar o conflito na Síria.

Moscou, um aliado do regime sírio, e Bagdá pedem regularmente por uma solução política para o conflito e se recusam a exigir a saída do presidente Assad.

A Rússia vetou no Conselho de Segurança da ONU três resoluções para sancionar Damasco. O conflito foi desencadeado em março de 2011 pela sangrenta repressão de uma contestação popular pacífica e fez mais de 31 mil mortes, segundo o OSDH.

O Conselho Nacional Sírio (CNS), principal coalizão de oposição, também anunciou que se reunirá na próxima semana em Doha para tentar se unir a outros grupos hostis ao regime de Damasco.

O CNS tem sido repetidamente criticado por sua incapacidade de unificar a oposição síria.

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