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Síria

Tropas do governo atacam oposição antes da chegada de observadores internacionais

por Redação Carta Capital — publicado 26/12/2011 12h35, última modificação 26/12/2011 12h35
Ofensiva militar, que tenta assumir controle de reduto da oposição em Homs, deixou 15 mortos e centenas de feridos

Poucas horas antes da chegada de observadores da Liga Árabe à Síria, as tropas do governo executam uma ofensiva militar para assumir o controle do bairro de Baba Amro, na cidade de Homs. A operação no reduto da oposição ao regime do presidente Bashar al-Assad deixou ao menos 15 mortos e centenas de feridos.

“A situação é alarmante e o bombardeio é mais intenso que nos três últimos dias", afirmou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), entidade ligada à oposição e com base em Londres.

Segundo a oposição, a maioria das mortes é causada pela repressão promovida pelo governo, para quem os distúrbios no país são causados por "terroristas armados" financiados no exterior.

Na sexta-feira 23, mais de 30 pessoas morreram na explosão de dois carros-bomba na capital Damasco. A tevê estatal informou que supostos militantes da Al Qaeda atiraram em bases de um edifício das forças de segurança sírias, mas ativistas da oposição alegam que os atentados foram realizados por aliados do governo para influenciar a opinião dos observadores internacionais.

Uma primeira delegação com cerca de 50 analistas civis e militares árabes deve desembarcar no país nesta segunda-feira 26. A missão integra um plano de saída da crise proposto pela Liga Árabe, que prevê o fim da violência, a libertação dos detentos, a saída das Forças Armadas das cidades e a livre circulação dos observadores e da imprensa por todo o país.

Os enviados vão se separar em grupos menores e, segundo o acordo, estão livres para visitarem qualquer lugar do país para analisar a situação. Os observadores, que eventualmente devem chegar a 200, planejam se reunir com oficiais do governo e da oposição.

Uma primeira equipe de logística da Liga Árabe desembarcou na quinta-feira 22 em Damasco para preparar a chegada dos observadores da organização. O general sudanês Muammad Ahmed Mustafah al-Dabi, que coordena a missão, desembarcou no domingo na capital síria, segundo uma fonte do governo que pediu anonimato.

A Síria aceitou oficialmente o plano em 2 de novembro, mas manteve a violenta repressão à revolta iniciada em março. Segundo a ONU, cerca de 5 mil pessoas morreram em decorrência dos confrontos no país.

Pedidos

O Conselho Nacional Sírio (CNS), que reúne a maioria das tendências de oposição, pediu no domingo 25 que a missão da Liga Árabe siga imediatamente para Homs, a terceira maior cidade do país, a 160 quilômetros de Damasco. "Os observadores deveriam seguir para o bairro mártir de Baba Amro para que cessem os assassinatos contra o povo sírio, e para que sejam testemunhas dos crimes cometidos pelo regime sírio", afirma a ONG em um comunicado.

O OSDH também fez um novo pedido de intervenção imediata ao secretário-geral da Liga Árabe, Nabil al-Arabi, para impedir um cerco ao hospital Al-Hikma, em Baba Amro. O governo teria intenção de prender feridos no local.

No domingo, o CNS anunciou que o bairro de Baba Amro estava cercado e sob a ameaça de invasão militar, com uma força de 4 mil soldados, após três dias de bombardeios contínuos. Além disso, as forças oficiais alteraram as indicações dos nomes de lugares na região de Jabal al-Zawiyah, na província de Idleb, para induzir os observadores ao erro, afirmou o OSDH.

O regime de Assad afirma que a violência é responsabilidade de "grupos armados" que pretendem espalhar o caos no país e que os confrontos já teriam matado 2 mil soldados.

Na sexta-feira 23, as autoridades acusaram a Al-Qaeda de estar por trás dos atentados com carro-bomba na capital, que mataram 44 pessoas.

Com informações AFP e Agência Brasil.

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