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Internacional

Israel x Palestina

Troca de soldado por detidos gera revolta

por Redação Carta Capital — publicado 17/10/2011 07h12, última modificação 18/10/2011 09h06
Conservadores judeus criticam libertação de palestinos e a Autoridade Palestina reclama dos termos da negociação
giladshalit

O soldado israelense, capturado pelo grupo em 2006, deve voltar a Israel em poucos dias, segundo o primeiro-ministro Benamin Netanyahu. Foto: Arquivo/AFP

Na terça-feira 18, 450 homens e 27 mulheres palestinos serãos trocados pelo soldado israelense Gilad Shalit, capturado pelo Hamas em 2006. É a primeira leva. A segunda contará com a libertação de mais 550 prisioneiros. Ao fechar o acordo, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ganhou o apoio de grande parte da população israelense que torcia pelo retorno do cabo Shalit, de apenas 25 anos. E despenca em popularidade nos nichos ultraconservadores de Israel.

No sábado 15, o país assistiu à primeira demonstração violenta, quando o radical Shvuel Schijveschuurder  depredou um monumento em homagem ao premier Yitzhak Rabin, no centro de Teal Aviv. Rabin foi um dos principais articuladores de um acordo que encerraria o conflito entre Israel e Palestina na década de 90. Sua execução por um radical judeu, no entanto, minou o processo.

Schijveschuurder e outros judeus compartilham da ideia de que Israel não deve libertar terroristas. Muitos deles são parentes de vítimas de atentados, a maior parte cometida durante a segunda intifada em 2001. “O governo mentiu para as famílias enlutadas. Eles prometeram às famílias que os terroristas não seriam libertados. Ehud Barak fez uma promessa pessoal para mim que o terrorista nunca veria a luz do dia de novo”, disse ao portal Ynet, Michael Norzich, que teve o irmão assassinado em atentado em 2000. Ainda que concordem com o retorno de Shalit, argumentam que Israel paga um preço muito alto e que Netanyahu prejudicará o país.

Essa ala chegou a procurar a justiça para barrar libertação dos presos. Foram apresentadas quatro petições na Suprema Corte israelense pela Associação de Vítimas do Terror de Almagor e parentes. Ainda sim, a possibilidade de uma intervenção é muito pequena, uma vez que o judiciário considera uma decisão de política e segurança, em que não deve interferir.

O acordo também divide opiniões na Palestina. A Autoridade Palestina, ligada ao Fatah, facção de Mahmoud Abbas, criticou a negociação. Isso porque alguns presos, ao serem libertados, não poderão permanecer em terras palestinas. Ao todo, serão 203 detidos da Cisjordânia, dos quais 163 serão deportados para Gaza e 40 para outros países.

Politicamente, a negociação aumentará a popularidade do Hamas, que, segundo o The New York Times, está preocupado com sua base em Damasco na Síria. O país, governado pelo presidente Bashar Assad, vive um cenário de instabilidade política e uma revolta que beira a Guerra Civil para derrubar o atual governo. O Hamas sonda o apoio de outros governos, como Turquia e Egito, principal apoiador do acordo que libertará Shalit.

Tanto o líder do Hamas quanto Netanyahu agradeceram publicamente a mediação egípcia. A relação Egito e Israel encontra-se abalada desde a queda do ditador Hosni Mubarak, com quem país mantinha acordo de paz.

Setores dentro do próprio governo se opõe à decisão. O chanceler Avigdor Lieberman votou contra e o ministro do Interior de Israel, Eli Yishai propôs a libertação de extremistas judeus para compensar os palestinos soltos no acordo.

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