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Tribunal Penal Internacional coloca mão em fortuna deixada por Kadafi

por Wálter Maierovitch publicado 29/03/2012 17h13, última modificação 29/03/2012 17h26
A Justiça italiana sequestra os bens do ex-ditador líbio Muamar Kadafi no país; Ele tinha uma ótima vida no vizinho de Mediterrâneo

De Roma, especial para a CartaCapital

Em cumprimento a uma carta rogatória enviada pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) à Justiça italiana, nesta quarta-feira 29 foram sequestrados os bens do falecido e sanguinário ditador Muhamar Kadafi, do seu filho Saif al Islam (vivo e preso)  e do ex-chefe do serviço secreto da Líbia, Abdullah al Senussi (fugiu e acabou preso na Mauritânia).

Os bens seqüestrados somam mais de 1,1 bilhão de euros.

Kadafi, não tivesse sido ditador, jamais teria condições de amealhar licitamente uma fortuna do porte da sequestrada hoje na Itália. Idem, o seu filho e o chefão dos 007 kadafianos. Por evidente, eles subtraíram bens do Estado. Fora isso, a Kadafi manobrou os fundos líbios que foram investidos em vários países europeus. O novo e tumultuado governo da Líbia já está cuidando de levantar e controlar os fundos estatais fora da Líbia.

Para o TPI, trata-se de uma apreensão cautelar, em bens individuais e não do Estado. Ela, segundo o TPI, é necessária para garantir indenizações às vítimas ou sucessores.

Kadafi tinha um patrimônio pessoal diversificado na Itália. Dele faz parte até uma motocicleta Harley Davidson. Também um bosque de 150 hectares na ilha de Panteleria (Sicília), famosa mundialmente pelos vinhos dourados de uva zibbibo, que quer dizer uva passa, em face do longo domínio árabe na Sicilia.

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Em Roma, Kadafi não deixou por menos, ou seja, era proprietário, e mantinha fechado, um apartamento que ocupa todo um andar na caríssima  via Veneto n.29, imortalizada por Fellini na Dolce Vita.

Para que um dos seus filhos jogasse o campeonato italiano de futebol, ainda que na série B, o falecido ditador colocou dinheiro em clubes esportivos.

Já informamos neste espaço,-- quando o ditador ainda era o todo poderoso e armava tendas e desfilava pela França a tiracolo com Sarkozy e pela Itália com o sabujo Berlusconi--, que um dos clubes contemplados foi a Juventus de Turim. Na Juventus, a cota do espólio de Kadafi foi avaliada hoje em 1,5 milhão de euros.

Na cidade de Turim, o ditador já aportou euros do fundo líbio para salvar a Fiat da falência nos anos 80.

Quanto às aplicações de Kadafi na Fiat, a Justiça italiana, para atender solicitação do TPI, sequestrou 0,33% da Fiat S/A e 0,33% da Fiat industrial.

A família Kadafi, pai e filho Saif al Islam, possue capital de 611 milhões de euros na Unicred-italiana.

Na petrolífera ENI, o coronel assassinado possuía, até o sequestro de hoje, 405 milhões de euros.

Quanto às apreensões das cotas da potente Fimmeccanica italiana e pertencentes a Kadafi e ao filho Saif al Islam, a avaliação chegou a 41 milhões e 760 mil euros.

Pano rápido. Kadafi confundia o público com o privado. Além de sanguinário, era um ladrão.

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