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Tribunal destitui premiê da Tailândia

por Deutsche Welle publicado 07/05/2014 10h47, última modificação 07/05/2014 10h47
Yingluck Shinawatra é acusada de abuso de poder e desrespeito à Constituição. Sentença pode gerar nova onda de violência, após meses de protestos contra o governo
PORNCHAI KITTIWONGSAKUL / AFP
thai

Yingluck Shinawatra e nove ministros foram considerado culpados por violação constitucional e abuso de poder

O Tribunal Constitucional da Tailândia destituiu nesta quarta-feira 7 a primeira-ministra do país, Yingluck Shinawatra, e nove de seus ministros, considerando-os culpados por violação constitucional e abuso de poder. A decisão é uma vitória da oposição, que ao longo de meses foi às ruas pedir a renúncia da premiê.

Na terça-feira, Yingluck negara as acusações diante do tribunal. A ação judicial contra a política, apresentada por vários senadores, refere-se ao afastamento do então secretário-geral do Conselho de Segurança Nacional, Thawil Pliensri, quando Yingluck assumiu o cargo de primeira-ministra em 2011.

Os juízes decidiram que a demissão do então secretário foi inconstitucional por favorecer a promoção de familiares e filiados ao partido do governo. Os nove ministros também destituídos pela Justiça teriam apoiado a medida na época. Entre eles estão os titulares das pastas do Exterior, Finanças e o influente ministro do Trabalho.

Os demais ministros, que não estiveram envolvidos na decisão, podem continuar no cargo e escolheram o novo chefe de governo interino. O atual ministro do Comércio, Niwattumrong Boonsongpaisan, foi o escolhido.

O veredicto pode gerar uma nova onda de violência na Tailândia, num momento de relativa tranquilidade após meses de violentos protestos da oposição contra o governo de Yingluck. Os partidários da controversa premiê já haviam anunciado que iriam às ruas caso ela fosse destituída do poder.

Por causa dos protestos, a chefe de governo havia antecipado a data das eleições parlamentares para fevereiro. As votações ocorreram em meio a tumultos e boicote da oposição. A Justiça anulou o pleito e programou novas eleições para 20 de julho.

Yingluck Shinawatra é a irmã mais nova do antigo chefe do governo Thaksin Shinawatra, hoje no exílio, depois de ter sido deposto num golpe militar, em 2006. Ele foi julgado e condenado à revelia por abuso de poder e corrupção. A oposição, entretanto, acusa o ex-premiê de governar a partir do exterior, influenciando a gestão de Yingluck.


Edição: Luisa Frey