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Internacional

Análise

Tony Blair vê motivos de esperança no Oriente Médio

por The Observer — publicado 06/08/2013 08h41, última modificação 06/08/2013 09h26
Onda de conflito tem boa probabilidade de enfrentar questões de liberdade e democracia, segundo ex-primeiro-ministro britânico
Evan Schneider / UN Photo
Tony Blair

Tony Blair, braço direito de Bush na invasão ao Iraque, está otimista quanto ao futuro do Oriente Médio

Por Daniel Boffey, editor de política

Tony Blair diz que vê sinais de otimismo no Oriente Médio, inclusive no Iraque, apesar do número crescente de baixas e da escalada do "pesadelo vivo" na Síria.

Os problemas fundamentais da região estão subindo à superfície, acredita o ex-primeiro-ministro britânico, e estão maduros para ser enfrentados e superados. Blair sente-se aliviado com a abertura de negociações entre Israel e a Palestina, questão sobre a qual admite ter trabalhado "muitas vezes de modo infrutífero". Escrevendo no Observer no domingo, ele também diz ver motivos de esperança em toda a região, inclusive no Iraque, apesar do crescimento da violência sectária no país depois de um período em que o número de baixas declinou.

"No Iraque, depois de anos em que a violência sectária diminuiu ano a ano, as baixas voltaram a aumentar, em parte devido à guerra na Síria", ele escreve. "Mas mesmo aqui houve recentemente uma declaração seminal do grande aiatolá Ali al-Sistani, o mais influente clérigo xiita no Iraque, proclamando a necessidade de um Estado civil laico, em que todas as pessoas tivessem igualmente liberdade para participar e discordar daquelas ligadas ao Irã, que querem que os xiitas vão combater na Síria por Assad, junto com o Hezbollah.

"No começo do Ramadã, o rei da Arábia Saudita, que também é o mantenedor das duas mesquitas sagradas, fez uma poderosa declaração reclamando a fé do islã daqueles que gostariam de pervertê-la, em nome da política".

"A Líbia e a Tunísia estão longe de resolvidas, como demonstram o assassinato do principal político de oposição na Tunísia e a presença de milícias irrestritas em cidades líbias. Mas os democratas não vão desistir. Na maior da parte do norte da África subsaariana há enormes desafios agora, de grupos terroristas bem armados e financiados que importaram essa ideologia tóxica do Oriente Médio. Países como a Nigéria sofreram horrivelmente com um terror baseado no extremismo religioso que é estranho a sua sociedade. Mas, mais uma vez, apesar de tudo, o país está experimentando um rápido crescimento econômico e houve uma grande reforma no setor energético, algo que se considerava impossível pouco tempo atrás.

"O Egito poderia se inclinar novamente para a democracia, com uma Constituição que seja genuinamente inclusiva e objetivamente administrada. Existe a promessa de eleições no início de 2014 e todos os partidos, incluindo a Irmandade Muçulmana, poderão participar. Ou o país poderá se paralisar, tornando-se incapaz de avançar."

Blair também reitera sua crença de que o Ocidente deveria intervir na crescente crise na Síria. "Por mais que gostássemos de olhar para outro lado, as consequências de deixarmos o banho de sangue na Síria seguir seu curso serão absolutamente desastrosas para a região e para nossa segurança."

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