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Internacional

Análise

'The Economist': Dilma se distancia de Lula e deixa sua marca no governo

por Redação Carta Capital — publicado 17/02/2012 14h13, última modificação 17/02/2012 14h35
Aos poucos, diz revista, a presidenta imprime estilo próprio e prepara uma agenda ambiciosa
Dilma

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A presidente Dilma Rousseff se distancia de seu antecessor, imprime estilo próprio ao governo e pode estar preparando uma agenda ambiciosa, afirma a tradicional revista liberal The Economist, em edição que chegou às bancas britânicas na noite de quinta-feira (16).

Sob o título "Sendo ela mesma", o texto destaca que, sem gestos bruscos, a presidente vem emergindo da sombra do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, "predecessor e patrono", "para remodelar o estado brasileiro a seu próprio jeito". A revista também destaca os princípios firmes, o perfil mais técnico, a lealdade a aliados e o toque feminino como traços principais do atual governo brasileiro.

A matéria também recorda que, embora tenha mantido a composição --e muitos ministros-- de Lula, a presidente demitiu sete ministros por suspeita de corrupção, "depois de defendê-los inicialmente".

E, embora tenha escolhido seus sucessores, manteve certo pragmatismo --traço de Lula-- como no caso da substituição de Mario Negromonte no Ministério das Cidades. O novo titular da pasta, Aguinaldo Ribeiro, "já enfrentava acusações ao assumir", lembra a publicação.

Agenda ambiciosa
Por outro lado, a Economist afirma que Dilma parece estar preparando terreno para uma agenda mais ambiciosa.

"Muitas de suas escolhas soariam descabidas sob Lula", pondera a publicação, antes de citar as nomeações de Eleonora Menicucci, para a Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, Marco Antonio Raupp, para a Ciência e Tecnologia, e Maria das Graças Foster, para a presidência da Petrobras, como sinais de que está sendo posto em prática "um programa próprio".

"Muitas de suas escolhas soariam descabidas sob Lula"

'Lembrar quem manda'
A revista diz que, em seu primeiro ano de governo, Dilma levou ao Congresso apenas uma grande reforma, a Desvinculação das Receitas da União, que permite ao Executivo manejar livremente até 20% de suas receitas anuais.

Mas estariam a caminho, segundo a Economist, a reforma no sistema previdenciário, a partilha dos recursos do Pré-Sal, o Código Florestal e a adoção de metas para o serviço público.

Diante deste cenário, a publicação cita a aprovação crescente, 59%, a ampla maioria na Câmara dos Deputados, onde a oposição "tem meros 91 representantes entre os 513 parlamentares", e o crescimento econômico como fatores que podem ajudar a presidente a se livrar de aliados problemáticos e "lembrar quem manda".

*Com informações da BBC Brasil